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O “fortificante da vovó” tinha álcool? A história curiosa do Biotônico Fontoura

Produto que marcou gerações chegou a ter 9,5% de etanol na composição; fórmula mudou após novas regras sanitárias no Brasil

Publicado em 07/07/2026 às 09:43Atualizado em 07/07/2026 às 09:43
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(Foto/Reprodução)

Durante décadas, muitas crianças brasileiras tomaram uma colher de Biotônico Fontoura acreditando que o produto ajudaria a fortalecer o corpo e abrir o apetite. O que pouca gente sabia é que, por muitos anos, o famoso fortificante tinha álcool em sua composição.

Criado em 1910 pelo farmacêutico Cândido Fontoura Silveira, o Biotônico Fontoura chegou a conter 9,5% de etanol na fórmula — uma concentração semelhante à encontrada em algumas bebidas alcoólicas.

Na época, porém, o uso de álcool em tônicos, elixires e medicamentos era considerado comum. O ingrediente era utilizado principalmente como solvente, ajudando na conservação e na mistura dos componentes da fórmula.

O produto se tornou um dos mais populares do país e atravessou gerações. Muitos brasileiros cresceram ouvindo dos pais e avós que o Biotônico “dava força”, “abria o apetite” e ajudava no desenvolvimento das crianças.

A fama aumentou ainda mais após a aproximação do farmacêutico com o escritor Monteiro Lobato, que ajudou a popularizar a marca e criou o personagem Jeca Tatuzinho, utilizado em campanhas educativas e publicitárias.

Por que o álcool foi retirado da fórmula?

Com o avanço dos estudos científicos e das normas de segurança, o uso de álcool em produtos destinados principalmente ao público infantil passou a ser questionado.

Em 2001, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibiu que tônicos, fortificantes e estimuladores de apetite tivessem álcool em sua composição, fazendo com que o Biotônico Fontoura precisasse ser reformulado.

A mudança marcou o fim de uma característica que acompanhou o produto por quase um século.

Um remédio que virou memória afetiva

Além da fórmula curiosa, o Biotônico Fontoura ficou conhecido por fazer parte da rotina de milhões de famílias brasileiras. O frasco esteve presente em muitas casas, principalmente entre as décadas de 1950 e 1990, quando era visto como um aliado contra a fraqueza e a falta de apetite.

Hoje, o produto continua sendo vendido, mas sem álcool e com uma composição adaptada às regras atuais.

A história do Biotônico Fontoura mostra como os hábitos de saúde mudaram ao longo do tempo — e revela uma curiosidade que muita gente desconhecia: durante décadas, crianças brasileiras tomaram um fortificante que também tinha álcool na fórmula.

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