Operação investiga monopólio imposto pelo Comando Vermelho nos complexos da Penha, Alemão e Chapadão; ação mira familiares do líder da facção e bloqueia até R$ 558 milhões
(Foto/Reprodução)
A Polícia Federal afirma que Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, continua exercendo influência sobre atividades econômicas ligadas ao Comando Vermelho (CV), mesmo preso há quase três décadas. Segundo a investigação, ele manteria o controle territorial do fornecimento de internet nos complexos da Penha, do Alemão e do Chapadão, no Rio de Janeiro, por meio de ameaças a moradores e comerciantes.
A apuração faz parte da operação Backbone, deflagrada nesta segunda-feira (19) para desarticular uma estrutura que, segundo a PF, impõe o monopólio da chamada “internet do tráfico” nessas comunidades.
Como funcionaria o esquema
De acordo com os investigadores, integrantes armados da facção cortariam cabos e incendiariam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes. As ações também incluiriam impedir reparos na infraestrutura, forçando moradores e comerciantes a contratar os serviços autorizados pelo grupo criminoso.
Ainda segundo a investigação, os provedores autorizados pela facção pagariam mensalmente uma espécie de tarifa para operar nas áreas controladas pelo grupo.
A PF afirma que os lucros obtidos com as atividades chegariam à família de Marcinho VP por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Os valores seriam ocultados em negócios como produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro e criptoativos.
Familiares são alvos da operação
Nesta segunda-feira, a mulher de Marcinho VP e mãe do rapper Oruam foi presa durante a operação. Lucas Nepomuceno, filho do líder do Comando Vermelho, também foi preso. Segundo a PF, ele seria responsável por gerenciar o controle do fornecimento de internet nas comunidades investigadas.
Marcinho VP está custodiado no Sistema Penitenciário Federal, em Campo Grande (MS), e permanece preso desde a década de 1990.
Bloqueio chega a R$ 558 milhões
Na operação, os policiais federais cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, medida que alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas.
A investigação busca interromper a estrutura financeira e empresarial que, segundo a Polícia Federal, sustenta o controle do fornecimento de internet pelo Comando Vermelho nas comunidades do Rio de Janeiro.