VAI, BRASA!

Por que a Copa mexe tanto com o emocional dos brasileiros?

Psicólogo explica relação do futebol com identidade nacional, pertencimento e expectativas coletivas

Juliana Corrêa
Publicado em 09/06/2026 às 06:55
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Com a aproximação da Copa do Mundo, aumenta também a expectativa dos torcedores em torno da seleção brasileira. Mais do que um evento esportivo, o torneio costuma mobilizar sentimentos coletivos, influenciar o humor das pessoas e fortalecer um sentimento de pertencimento nacional. Para o psicólogo Sérgio Marçal, a intensidade dessa relação tem explicação na própria história cultural do país, que consolidou o futebol como um dos principais símbolos da identidade brasileira. 

Segundo o especialista, a ligação entre os brasileiros e o futebol foi construída ao longo de gerações, impulsionada por conquistas, referências positivas e pela presença constante do esporte no cotidiano. Esse processo fez com que o futebol deixasse de ser apenas uma modalidade esportiva para se tornar um elemento importante na forma como muitas pessoas percebem a si mesmas e ao país. “O futebol faz parte da cultura do brasileiro e, ao longo dos tempos, tornou-se um espaço de referência e demonstração de capacidade. Por isso, foi se constituindo como um elemento identitário da nação, sendo transmitido de geração em geração e incorporado à identidade da maioria das pessoas”, explica Marçal. 

Ao mesmo tempo em que a Copa desperta entusiasmo, ela também pode trazer decepções. O psicólogo destaca que a possibilidade de derrota precisa ser considerada pelos torcedores, já que a frustração é uma experiência natural em qualquer competição. Manter expectativas equilibradas e compreender que o resultado não está sob o controle de quem assiste aos jogos pode contribuir para uma vivência mais saudável do torneio. 

Nesse contexto, aprender a lidar com emoções negativas torna-se tão importante quanto celebrar as vitórias. “A frustração é natural em quaisquer processos da vida e essa constatação precisa estar presente na consciência. Todos entram em uma disputa para vencer, mas, como torcedores, nosso controle sobre o resultado é ainda menor. Por isso, a frustração deve gerar aprendizado e não apenas sofrimento”, afirma. 

Marçal ressalta ainda que a paixão pelo futebol merece atenção quando passa a provocar prejuízos na vida pessoal, profissional ou nos relacionamentos. Discussões frequentes, conflitos, sofrimento prolongado ou comportamentos exagerados podem indicar que o envolvimento deixou de ser saudável. Para ele, embora a Copa seja um momento legítimo de emoção e união, é importante que o futebol não ocupe espaço desproporcional na vida das pessoas, preservando o equilíbrio emocional e o interesse por outras áreas igualmente importantes para o desenvolvimento individual e coletivo.

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