Segundo líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), medidas têm como objetivo garantir segurança energética do país
Líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, defende reestatização da BR Distribuidora. (Foto/Renato Araújo/Câmara dos Deputados)
O PT articula no Congresso Nacional medidas para fiscalizar preços dos combustíveis com a guerra no Oriente Médio e defende até a reestatização da BR Distribuidora.
As propostas foram adiantadas pelo líder do partido na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC). Segundo ele, uma das ideias é criar uma comissão externa para fiscalizar o mercado do setor de combustíveis, para impedir preços abusivos, adulteração e atuação de cartéis.
“Combustível não pode ser refém da especulação. Estamos propondo três medidas na Câmara: reestatizar a Vibra Energia, investigar cartéis no mercado e abrir o debate público para garantir preço justo na bomba. Energia é estratégica e deve servir ao povo brasileiro, não ao lucro de poucos”, defendeu o parlamentar.
A discussão sobre as iniciativas acontece depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obrigar os postos a informar ao consumidor a redução do preço do diesel.
O pacote de medidas anunciado pelo governo na semana passada inclui zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, subvenção ao combustível, imposto regulatório sobre exportações de petróleo e novas regras para reforçar a fiscalização no mercado de combustíveis.
“Governo do Brasil não medirá esforços para fiscalizar toda a cadeia de combustíveis, quem tentar se aproveitar deste momento para especular ou manipular preços contra o povo brasileiro será identificado e responsabilizado”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Alguns parlamentares da base, liderados pelo PT, também articulam a criação de uma Frente Parlamentar para reestatizar a BR Distribuidora (atual Vibra Energia), privatizada na gestão de Jair Bolsonaro (PL). A iniciativa visa combater a alta dos combustíveis. Uczai alega que a privatização prejudicou a segurança energética e aumentou preços, por isso, é importante trazer a empresa de volta ao controle público.
Governistas não descartam, inclusive, colher assinaturas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar e apurar carteis de postos pelo país. Na Câmara, são necessárias, no mínimo, 171 assinaturas.
Líderes devem ainda apresentar requerimentos para realizar audiências públicas em comissões da Câmara para ouvir especialistas e autoridades públicas sobre o tema.
Medidas dividem o setor
Alguns especialistas apontam que as medidas anunciadas pelo governo Lula são fundamentais para reduzir o impacto da alta internacional do petróleo sobre os combustíveis no Brasil, em especial sobre o diesel, e evitar pressão inflacionária sobre a economia. No entanto, na visão do mercado, a criação de um novo imposto, “além de onerar as vendas de petróleo para o mercado externo, caracteriza uma medida com fins meramente arrecadatórios”.
Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), alertou, por exemplo, para aumentos abusivos na revenda de combustível pelo país. “Há registros, como no estado de São Paulo, de postos vendendo gasolina por até R$ 9,00 o litro, mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias”, afirmou.
“Nesse sentido, a Petrobras desempenha um papel estratégico fundamental, podendo ser utilizada como instrumento para mitigar pressões inflacionárias provenientes dos combustíveis”, destaca a entidade.
Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), é fundamental que o governo intensifique a fiscalização, especialmente por meio da Receita Federal e dos órgãos responsáveis, para coibir irregularidades e punir responsáveis por aumentos arbitrários. Além disso, a federação vê como positiva a volta BR Distribuidora ao controle estatal.
“A privatização da BR Distribuidora reduziu a capacidade de baliza do mercado de combustíveis. A presença da Petrobrás na distribuição ajudaria a estabelecer referência de preços ao consumidor”, disse Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, observando que a Petrobrás também tem contribuído ao não repassar automaticamente para as refinarias as variações dos preços internacionais.
Já Vinicius Cardoso Cavalcanti, sócio do Martinelli Advogados, e Especialista em Tax para o segmento de Óleo & Gás, criticou o imposto de importação sobre as vendas de petróleo anunciada pelo governo federal.
“O governo surpreendeu a indústria de Óleo & Gás no País ao instituir o Imposto de Exportação sobre as vendas de petróleo ao mercado externo. Trata-se de uma medida precipitada, e que não contou com qualquer participação do setor em discussões sobre sua implementação e consequências, afetando a segurança jurídica por conta da instabilidade das regras aplicadas ao setor”, afirma o advogado.