COMO IDENTIFICAR?

Quando o abuso não deixa marcas visíveis: psicóloga explica sinais da violência psicológica

Manipulação, desvalorização e controle emocional podem ocorrer em relações amorosas, familiares e profissionais

Débora Meira
Publicado em 14/05/2026 às 10:28
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A violência psicológica nem sempre é facilmente identificada por quem a sofre. Por ocorrer de forma muitas vezes sutil, por meio de manipulação emocional, controle e desvalorização constante, esse tipo de abuso pode se prolongar ao longo do tempo sem que a vítima reconheça a gravidade da situação. A psicóloga Thais Pereira explica que esse fenômeno pode estar presente em diferentes tipos de relações, incluindo familiares, amorosas e profissionais. 

(Foto/Divulgação)

 Segundo a especialista, esse tipo de violência nem sempre é explícito, o que dificulta o reconhecimento e o rompimento do ciclo de abuso. “É um ato que coloca o outro em um lugar de indignidade, sem direitos, lidando com as emoções e muitas vezes manipulando essas emoções”, explica. 

De acordo com Thaís, a violência psicológica costuma ocorrer em relações já estabelecidas, justamente porque envolve vínculos afetivos, familiares ou de confiança, o que torna o impacto ainda mais profundo. “Raramente a violência psicológica acontece entre pessoas que não têm alguma relação. Ela aparece em relações amorosas, familiares, de amizade e também pode ocorrer no ambiente de trabalho”, afirma. 

A psicóloga destaca que um dos principais mecanismos desse tipo de abuso é o uso das vulnerabilidades da própria vítima como forma de controle emocional. “A pessoa que pratica a violência muitas vezes utiliza aquilo que sabe de mais sensível sobre o outro para fragilizar ainda mais, diminuindo a confiança e a capacidade de reação”, pontua. 

Thaís Pereira explica que a violência psicológica pode se manifestar de formas variadas, desde ofensas diretas até falas sutis que parecem comuns, mas têm efeito de desvalorização e controle. “Às vezes são falas claramente agressivas, mas em outras situações são frases disfarçadas, manipulativas, que fazem a pessoa duvidar de si mesma”, diz. 

Segundo a psicóloga, esse tipo de comportamento pode ser difícil de identificar justamente porque, aos poucos, vai minando a autoconfiança da vítima. “Muitas vezes o conteúdo não parece agressivo à primeira vista, mas o efeito é o mesmo: a pessoa vai perdendo a confiança em si e na própria percepção da realidade”, explica. 

A especialista ressalta que romper com esse tipo de relação pode ser um processo complexo, principalmente quando há envolvimento emocional ou laços familiares. “Existe um sentimento de ambivalência: ao mesmo tempo em que a pessoa reconhece o afeto e a história construída, ela também percebe que há sofrimento e dor nessa relação”, afirma. 

Para Thaís Pereira, reconhecer essa ambivalência é um passo importante para compreender os limites da relação e avaliar a necessidade de afastamento ou de estabelecimento de novas formas de convivência. “É possível amar alguém e, ao mesmo tempo, reconhecer que essa relação está causando sofrimento”, destaca. 

A psicóloga reforça ainda que, em muitos casos, o apoio psicológico é fundamental para ajudar a vítima a identificar o abuso e encontrar caminhos para romper o ciclo de violência. “Esses ciclos são muito difíceis de enfrentar sozinha. O acompanhamento profissional pode ajudar a pessoa a enxergar o que está vivendo e a se fortalecer para se proteger”, conclui.

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