Subcompacto perdeu o posto de carro elétrico mais barato do país em meio à reestruturação estratégica da marca francesa com a Geely
Renault Kwid E-Tech é o carro automático e elétrico mais barato do Brasil em 2026 (Foto: Renault/Divulgação)
A trajetória do Renault Kwid E-Tech no Brasil chegou ao fim. O subcompacto deixou de ser importado e já não figura no configurador oficial da montadora. A decisão enxuga o portfólio de zero emissão da marca, que agora disponibiliza apenas o Megane E-Tech nas concessionárias brasileiras.
O adeus do modelo altera de imediato a base da pirâmide dos carros movidos a bateria no Brasil. Tabelado a R$ 99.990, o carrinho sino-francês sustentava o título de elétrico mais acessível do país.
Sem ele nas lojas, a posição de entrada passa diretamente para as mãos da concorrência chinesa. O BYD Dolphin Mini assume o posto por R$ 119.990, seguido de perto pelo rival Geely EX2, oferecido a R$ 123.990.
O peso da concorrência
Desembarcar no Brasil, em 2022, garantiu ao compacto um pioneirismo que logo foi engolido pela agressividade das fabricantes asiáticas. Mesmo após receber uma renovação no início deste ano, as vendas empacaram.
Os números consolidados do mercado evidenciam a dificuldade do projeto nas ruas. Segundo o levantamento da consultoria K.Lume, o compacto da Renault registrou apenas 217 unidades emplacadas no acumulado de 2026. No mesmo período, o líder BYD Dolphin Mini somou 21.647 unidades. O Geely EX2 também superou o veterano com folga ao garantir 6.076 unidades.
Nova aposta estratégica da Renault
A retirada do veículo das vitrines expõe um movimento muito mais profundo nos bastidores da indústria. A recente parceria firmada entre a montadora francesa e a Geely direcionou um investimento massivo de R$ 3,8 bilhões para a fábrica de São José dos Pinhais (PR). O complexo industrial paranaense passa a montar produtos das duas empresas.
Ao enxugar a oferta de base, a aliança franco-chinesa pavimenta o terreno para o avanço do próprio Geely EX2, que ganha espaço livre para expandir sua fatia no segmento urbano sem enfrentar canibalização interna.
Fonte: O Tempo