TRAGÉDIA

Sem sistema próprio de alerta, Venezuela dependeu de notificações do Google durante terremoto

Publicado em 27/06/2026 às 09:43
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(Foto: Manaure Quintero/AFP)

Mesmo situada em uma região de intensa atividade sísmica, a Venezuela ainda não possui um sistema próprio de alerta antecipado para terremotos semelhante ao utilizado em países como os Estados Unidos. Durante o forte tremor registrado na quarta-feira (24), grande parte da população recebeu notificações por meio do sistema de alertas do Google em celulares Android.

Segundo Robert-Michael de Groot, físico do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e integrante da equipe responsável pelo sistema ShakeAlert, criar uma estrutura nacional de monitoramento sísmico exige investimentos elevados e muitos anos de desenvolvimento.

De acordo com o especialista, o sistema norte-americano levou décadas para ser consolidado e hoje vai além dos avisos enviados aos celulares. Ele também aciona protocolos automáticos de segurança, como a redução da velocidade de trens e a abertura de portas de quartéis de bombeiros.

Apesar de considerar a tecnologia utilizada pelo Google uma alternativa importante para países sem infraestrutura própria, Groot destaca que um sistema oficial oferece maior eficiência e pode salvar vidas.

Estrutura exige alto investimento

O pesquisador afirma que implantar uma rede de alerta envolve a instalação de diversas estações sismográficas capazes de detectar rapidamente os tremores, além de uma estrutura de comunicação que transmita essas informações em poucos segundos para os órgãos responsáveis e para a população.

Segundo ele, o desafio não é exclusivo da Venezuela ou da América Latina. Como exemplo, cita o México, que iniciou a construção de seu sistema após o terremoto de 1985, processo que exigiu anos de investimentos até alcançar a estrutura atual.

Além da tecnologia, o especialista ressalta que é essencial preparar a população para saber como agir ao receber um alerta. Orientações simples, como buscar abrigo e proteger a cabeça, podem fazer diferença durante um terremoto.

Alertas pelo celular

No terremoto da última quarta-feira, milhões de usuários de aparelhos Android receberam uma notificação informando a possibilidade de tremores, com estimativa inicial de magnitude 6,2 e a distância aproximada do epicentro.

Segundo Groot, o sistema do Google utiliza sensores presentes nos próprios celulares, como acelerômetros e dados de localização, para identificar movimentos sísmicos e determinar quais usuários devem receber os avisos.

Ainda assim, ele ressalta que a eficácia dos alertas depende também das condições das edificações. Em construções vulneráveis, o tempo disponível para reação pode não ser suficiente para evitar tragédias.

Construções aumentam risco

Estudos anteriores já apontavam que diversas edificações nas cidades de Caracas, Guarenas e Guatire apresentam alto grau de vulnerabilidade a terremotos. Essas regiões foram algumas das mais atingidas pelo tremor desta semana.

Até sexta-feira (26), as autoridades venezuelanas confirmavam 920 mortes e cerca de 4.300 pessoas feridas. No entanto, especialistas acreditam que esses números ainda devem aumentar à medida que as equipes de resgate avançam nas áreas afetadas. Estimativas internacionais indicam ainda milhares de desaparecidos em decorrência do desastre.

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