Democracia foi o assunto principal no primeiro dia da 5ª Semana Social Brasileira. O evento, iniciado na terça-feira, 25, tem como tema “Estado para quê e para quem” e o debate girou em torno da democracia vivida no país, que, segundo o palestrante, padre Nelito Dornelas, não acontece de fato e somente agora, com as manifestações, está se fazendo valer.
O evento, que é promovido pela Arquidiocese de Uberaba em parceria com a Unipac e UFTM, reuniu mais de 200 pessoas no primeiro dia. O pregador na abertura, padre Nelito, há seis meses é assessor da Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). De acordo com ele, o Estado Brasileiro nasceu para satisfazer os interesses das grandes nações europeias da época.
“Apesar dos 513 anos de fundação do Brasil, o nosso Estado só tem 10% de democracia. Somos insipientes em se tratando de democracia. Para 16 milhões de brasileiros falta Brasil, afinal, ganham menos do que o valor pago pelo programa Bolsa Família. Os números também mostram que, embora o país seja a 6ª economia mundial, somos a 84ª nação em desigualdade social”, disse o sacerdote, durante a palestra, ressaltando que é por conta dessa realidade que a CNBB propôs a 5ª Semana Social.
O padre Nelito destacou que o Estado deve existir para servir e promover a sociedade, e não o contrário. Lamentou, ainda, a incoerência da democracia atual. “Democracia hoje no Brasil é votar secretamente naqueles que vão nos roubar publicamente”, declarou.
Para encerrar, o sacerdote afirmou que as manifestações nas ruas que vêm acontecendo por todo o Brasil são o que se pode chamar de Democracia Direta, que tem provocado a abertura do Estado em dialogar com a sociedade por avanços de verdade na nação.