ALERTA EPIDEMIOLÓGICO

Sobe para 13 o número de casos de mpox em Minas

Pacientes têm entre 25 e 56 anos e todos evoluíram para cura

Raíssa Oliveira/O Tempo
Publicado em 12/03/2026 às 10:55
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(Foto/iStockphoto)

Subiu para 13 o número de casos confirmados de mpox em Minas Gerais em 2026. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o caso mais recente foi registrado em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Todos os pacientes tiveram evolução para cura.

Do total de confirmações, oito registros ocorreram em Belo Horizonte. Três casos foram confirmados em Contagem e um em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, além de uma notificação em Formiga, no Centro-Oeste de Minas. De acordo com a secretaria, todas as confirmações ocorreram em pessoas do sexo masculino, com idades entre 25 e 56 anos.

Em nota, a SES-MG afirma que mantém monitoramento permanente do cenário epidemiológico e reforça a importância de buscar informações confiáveis e adotar medidas preventivas.

O que é a mpox?

A mpox era anteriormente conhecida como "monkeypox" (varíola dos macacos, em português). Segundo a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, é uma infecção causada pelo vírus mpox, que pertence à família do gênero Orthopoxvirus, o mesmo da varíola.

Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Depois, pode evoluir para a chamada fase eruptiva, explica a médica, que é quando se apresentam lesões na pele progressivas: começam avermelhadas, viram uma vesícula, ficam mais amareladas e depois se tornam crostas. Elas podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas das mãos e dos pés e mucosas; casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.

A mpox existe há décadas em países da África, principalmente na República Democrática do Congo. Mas foi a partir de 2022 que ela se tornou mundialmente conhecida, com o início do surto global que segue até hoje, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.O médico explica que a doença é causada por um vírus que se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b; 2a e 2b.

"Essa avaliação indica a circulação do vírus. Classicamente, por exemplo, o 1a circula entre países da África Central, e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos e é o principal responsável pelo surto global de 2022 até o momento", diz Pinheiro. Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa.

Como a mpox é transmitida?

A transmissão ocorre principalmente por contato físico direto com as lesões antes do período de cicatrização, seja esse contato sexual ou não, diz Pinheiro. O período de incubação pode variar entre poucos dias e cerca de três semanas. "É indicado o isolamento até a completa cicatrização de todas as lesões, a fim de evitar a transmissão para outras pessoas", afirma.A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci. O contato com fluidos corporais, como saliva, sangue e sêmen, da mãe para o bebê ou por meio de objetos contaminados também é frequente; a infecção por gotículas respiratórias pode acontecer, mas é menos comum. A médica diz que já existem relatos de transmissão de animais para pessoas, principalmente em surtos anteriores.

"A população de maior risco inclui homens que fazem sexo com homens, pessoas que vivem com HIV/Aids, pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas e gestantes", afirma Falci. "No caso das gestantes, principalmente também pelo risco de transmissão vertical e complicações para os fetos."

Apesar de haver estudos avaliando tratamentos específicos para mpox, diz Pinheiro, eles não mostraram a efetividade esperada. Assim, o tratamento hoje é feito apenas com terapia de suporte, sem opções de tratamento específico.

Como se prevenir da mpox?

Os médicos dizem que a melhor forma de prevenção para a doença é a vacina. O imunizante está disponível no SUS para pessoas maiores de 18 anos que vivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde que têm contato com o vírus.

No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes, o que resulta em uma baixa cobertura vacinal. "Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil. O Carnaval, que comumente tende a apresentar maior contato físico entre as pessoas, nos deixa em estado de alerta", diz.

Ele orienta que, se observadas lesões na pele, associadas ou não a sintomas como febre, dor no corpo e aumento de gânglios, é preciso evitar contato com outras pessoas e procurar um infectologista para avaliação.Outras formas de prevenção, indica Falci, são mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais. Em ambientes hospitalares, ela diz ser importante o uso de equipamentos de proteção pelos profissionais, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.

Fonte: O Tempo

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