As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros têm impacto desigual entre os estados, mas atingem de forma mais intensa Ceará, Espírito Santo e Santa Catarina, segundo levantamento com base em dados de 2025 do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Desde 23 de julho, os EUA passaram a aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil importa mercadorias produzidas com trabalho forçado. Em diversos casos, essa cobrança se soma à tarifa de 25% já aplicada em investigações comerciais anteriores.
O Ceará aparece como o estado mais afetado. Cerca de 46% das exportações cearenses têm como destino o mercado norte-americano e, desse total, mais de 90% estão sujeitos às novas sobretaxas. Na prática, aproximadamente 42% de todas as exportações do estado passam a sofrer incidência de tarifas.
Especialistas apontam que a forte presença da indústria siderúrgica na pauta exportadora do Ceará explica parte do impacto. Produtos como semimanufaturados de aço, mel, granito e calçados de borracha estão entre os mais afetados.
O Espírito Santo também enfrenta um cenário de preocupação. O estado possui uma das economias mais abertas do país, com exportações e importações representando parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB). Cerca de 27% das vendas externas capixabas vão para os Estados Unidos, e quase 19% das exportações totais estão sujeitas às novas tarifas. Entre os produtos atingidos estão itens de ferro e aço, pedras ornamentais e celulose.
Santa Catarina ocupa a terceira posição entre os estados mais impactados. Aproximadamente 12% das exportações catarinenses têm como destino os EUA e mais de 80% desse volume foi alcançado pelas tarifas, afetando quase 10% das vendas externas do estado. Madeira e componentes para a indústria automotiva estão entre os principais produtos atingidos.
Em contrapartida, estados como Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso devem sentir efeitos menores. Isso ocorre porque boa parte das exportações destinadas aos Estados Unidos é composta por carnes, que ficaram de fora das novas sobretaxas.
Já São Paulo, embora seja o maior exportador brasileiro para o mercado norte-americano, teve impacto proporcionalmente menor. Cerca de 7,7% das exportações paulistas passaram a ser tarifadas, favorecidas pela isenção concedida a setores como a indústria aeronáutica e o suco de laranja.
Especialistas avaliam que os efeitos das medidas variam conforme o perfil da economia de cada estado e defendem a diversificação de mercados e da pauta exportadora como forma de reduzir a dependência do mercado norte-americano.