ARTICULISTAS

Helvécio Moreira de Almeida – 28/12/1914 - 21/10/2010

Caro amigo leitor, continuo respirando pela graça e com a graça do Criador

Leuces Teixeira
Publicado em 27/12/2012 às 20:32Atualizado em 19/12/2022 às 15:36
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Caro amigo leitor, continuo respirando pela graça e com a graça do Criador. No dia de hoje vou tentar falar do grande amigo e companheiro Dr. Helvécio, pessoa que tive a grata felicidade de conhecer como poucos, digo dessa maneira, pois, minha convivência com este dileto amigo teve início no final da década de 1970, mais precisamente no ano de 1978 quando meu pai veio para Uberaba e abriu a Minas Queijo na praça do Mercado Municipal. Naquela época, o amigo Helvécio morava na Leopoldino de Oliveira, perto do Hotel Metrópole, e junto de sua residência funcionava o seu escritório de advocacia. Quando o Dr. Helvécio passava para fazer compras no mercadão ou tomar sua cervejinha no bar do Sr. Armando, também falecido, ao lado da Faculdade de Medicina, eu ficava olhando aquele homem passar, fixava meus olhos com muita paixão e admiração, pois estava diante do grande advogado criminalista. Um homem inquieto, passos rápidos e ao mesmo tempo em que falava, gesticulava os braços de forma firme. O vice-prefeito que obteve mais votos do que o prefeito eleito, pelo menos foi o que ouvi – naquela época votava no prefeito e no vice de forma distinta -.  Não tive a felicidade de vê-lo nos palanques eleitorais fazendo comícios, mas ouvia todo mundo dizer que sua oratória era semelhante à do ex-presidente Jânio da Silva Quadros – 25/01/1917 – 16/02/1992 -. Aliás, o próprio Dr. Helvécio, contou-me uma passagem com o ex-presidente Jânio Quadros: “Jânio em campanha eleitoral no ano de 1960, em Uberaba, na praça Rui Barbosa, o amigo Helvécio foi apresentado ao candidato Jânio, daí foi logo dizendo... Presidente, o povo diz em Uberaba que eu pareço muito com o senhor !!! Jânio, como um raio fulminante, ao seu estilo respondeu: Azar seu !!! No campo político, também, o meu velho amigo relembrava vírgula por vírgula do discurso proferido pelo ex-presidente Juscelino – 1902-1976 – quando da inauguração de Brasília. Posso dizer, também, de forma muito clara e tranquila o tanto que era dedicado à família, amava sua mulher Alda, seus filhos e netos; presenciei várias e várias passagens do seu desprendimento com relação à cobrança de honorários por parte daqueles que não tinham como pagar, uma verdadeira desambição, em resum fui testemunha ocular dessas tantas passagens, como também, de vê-lo tirar dinheiro do próprio bolso e entregar para o “cliente” comer algo, ou ainda, poder dar ou inteirar o valor do ônibus para voltar pra casa. Que ninguém duvide do que estou escrevendo, pois fui testemunha, estava lá. Digo mais, honrou todos os seus compromissos com as defesas assumidas quer no juízo singular, quer nas sessões do júri, estava do teu lado, sei do que estou falando, caminhamos de mãos dadas. O grande mestre Helvécio deu-me muitos conselhos, vez em quando me levava pro canto da sala e dizia o que precisava ser dito, olho no olho, como um pai conversa com o filho querido, era assim que o velho amigo e mestre me guiava. Certa feita ele disse que iria me presentear com algo muito especial e guardar com muito carinho, dito e feito, promessa cumprida!!! Deu-me de presente um livro, um romance, do qual tinha presenteado sua esposa Dona Alda, com a seguinte dedicatória: “ À minha Alda, com meu sincero amor e profunda admiração, sinceramente oferece o Helvécio, Uberaba, em 03/07/1941. O livro é um romance intitulado “Coração Inquieto”, de Stefan Zweig. Qualquer dia vou escrever sobre esse romance. Numa das últimas visitas que fiz ao meu amigo, mais precisamente no Dia dos Pais, isto ocorreu em agosto de 2010, perguntei que dia era aquele, rapidamente respondeu, ao seu jeit oh, bacharelll !!! claro que sei, o hoje é Dia dos Pais, aí eu retruquei: por isto é que estou aqui Dr. Helvécio, hoje é Dia dos Pais, e eu tenho o senhor como um Pai, demos as mãos, abraçamos e choramos juntos, nunca mais esqueço essa passagem. Fica com DEUS meu amigo, meu irmão e meu Pai Jurídico, quantas saudades desse velho advogado e advogado velho. Digo desta maneira, pois quem o conheceu sabe que ele gostava que falasse desse jeito. Saudades, Helvécio, muitas saudades meu mestre, tá fazendo um falta danada. Se estivesse entre nós, amanhã, estaria completando 98 anos !!!

(*) Advogado criminalista e professor universitário

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