Em 21 de setembro passado, foi sancionada a Lei 12.031, estabelecendo a obrigação da execução do Hino Nacional Brasileiro em escolas de Ensino Fundamental públicas e privadas.
Em 21 de setembro passado, foi sancionada a Lei 12.031, estabelecendo a obrigação da execução do Hino Nacional Brasileiro em escolas de Ensino Fundamental públicas e privadas. Desde 1936, Getúlio Vargas já começava com indícios de tornar o Hino Nacional ato obrigatório. Em 1971, com a Lei 5.700/71, o Hino Nacional foi consagrado Símbolo Nacional. Dias atrás, como dito, mais uma obrigação para a pomposa e rebuscada letra parnasiana. Mas será que é viável, em plena efervescência da globalização sociocultural, obrigar crianças e até adolescentes a ficarem em pé num pátio e a cantarem tão descontextualizada letra (pelo menos em dias atuais)? Na realidade, muitas escolas já seguem esse procedimento e relatos há em que não são poucos os alunos que usam boné, conversam aleatoriamente, mascam chiclete e/ou se encostam e se empurram na hora do lábaro estrelado. Civismo e patriotismo são sentimentos sublimes, nobres, mas que devem ser brotados intrinsecamente dentro do senso de responsabilidade e maturidade que cada um deve formar em suas concepções. Temo que essa Lei – que inegavelmente tem bons objetivos e princípios – caia na banalidade, no descrédito e vire piada. Hino Nacional para alguns alunos que ainda nem tiveram a oportunidade de aprender a respeitar pais e professores ou aprender jogar uma simples bolinha de papel no lixo é no mínimo algo incompreensível, desprovido de significado. Cantar por cantar, que seja então uma dessas letras nocivas de pagode que já se encontram presentes em abundância na boca das crianças do pré-escolar. Longe de mim ser contra a execução do Hino Nacional nas escolas brasileiras. Pelo contrário. Entretanto, é justamente por considerar esse Símbolo Nacional civicamente sagrado que acredito que não deva ser objeto de rejeição e imposição em um sistema educacional tão falho. De fato, o Hino Nacional precisa deixar de ser música apenas de embriagados em estádios aos domingos, ainda mais nesse país que elege tantos políticos desonestos e indiligentes e que ainda não troca um tênis de multinacional por um Made in Brazil. Portanto, que os pais primeiramente ensinem aos seus filhos o básico necessário em se tratando de civilidade e educação de berço. Que os professores também se preparem melhor para interpretar e passar o brilho e a profundidade da letra de Joaquim Osório Duque Estrada. Que professores recebam o suficiente para bem alimentar seus filhos e que todos os filhos tratem um professor como um pai. Nesse dia, sim, estaremos preparados para entoar o Hino Nacional nas escolas e em várias instituições desse país, com emoção em todos os seus versos. Que nossas crianças cantem um dia o Hino Nacional, mas que seja por amor, com o calor da alma, com a sobriedade e a disciplina que o ato requer. (*) analista educacional juliobernar78@hotmail.com