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Homenagem ao músico Ernani Di Martino

Publicado em 13/02/2021 às 12:22Atualizado em 19/12/2022 às 04:47
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A galeria dos imigrantes italianos que militaram no setor musical de Uberaba inclui o nome do talentoso clarinetista e compositor Ernani Di Martino. Nasceu em uma família de músicos, que incluía seu pai, Antônio, e seus irmãos, Rigoletto e Garibaldi, todos unidos em torno de uma mesma paixão – a Música. O fato de Rigoletto ter assumido o protagonismo da família Di Martino acabou relegando seu irmão Ernani a um segundo plano no cenário musical, que não condiz com a importância de sua participação na História da Música em Uberaba.

Ernani Di Martino nasceu em Villa Arielli, na Província de Chieti, região de Abruzos da Itália, em 21 de abril de 1884. Era filho de Antônio Di Martino e Solamina De La Barba Di Martino. Em 1895, aos 11 anos, veio da Itália com sua mãe e seus irmãos, Rigoletto e Marietta, juntar-se ao pai em Uberaba, onde este, há dois anos, trabalhava na indústria de massas alimentícias de Paschoal Totti e tocava pistom na banda União Uberabense.

Assim que chegaram, ele e seu irmão Rigoletto, três anos mais velho, começaram a estudar música na “Artinha”, escola de música do maestro Eloy Bernardes Ferreira, que também lhes ensinou a língua portuguesa. Em pouco tempo, os dois irmãos, que herdaram o talento paterno, tornaram-se exímios musicistas e compositores de larga inspiração. Na primeira década do século XX, junto com outros alunos de Eloy, que eram Ozorio Maia e os irmãos Benedicto e Francisco Marchetti Nascimento, formaram uma pequena banda, que tomou o nome de “Banda dos Cinco”. Esta, com o passar dos anos e o ingresso de outros elementos, foi se tornando maior.

Ernani conquistou renome como clarinetista, e dividia com o maestro Abdias Ribeiro dos Santos o posto de primeiro clarinete da União Uberabense. Demonstrando ter talento para a composição, lançou inúmeras obras no cenário musical uberabense, interpretadas pela Banda dos Cinco e também pela União Uberabense.

Em 6 de setembro de 1906, ele seguiu para a Itália, onde deveria cumprir um ano de serviço militar. Ao se declarar músico, foi designado para a cidade de Verona, no norte da Itália, a 120km de Veneza. Verona sediava uma das mais afamadas bandas militares italianas. Ernani destacou-se de tal maneira que, ao término de seu estágio obrigatório, foi convidado a permanecer por mais dois anos na mesma banda, onde foi sempre uma das principais figuras.

Retornando a Uberaba, após três anos na Itália, dedicou-se ao ensino da música, participou de algumas corporações musicais, como a banda Ítalo-Brasileira de Rigoletto, e, a partir de 1917, fez parte da Orquestra do Polytheama quando o regente era o maestro italiano Pietro Giammarusti, sucedido em meados de 1918 pelo maestro Renato Frateschi.

Rigoletto e Ernani pertenceram à diretoria do Clube dos Fenianos, animado clube carnavalesco uberabense, desde 1914, ano de sua fundação. Foram autores de diversas músicas para o carnaval de Uberaba, inclusive do Hino dos Fenianos.

No início dos anos 20, transferiu-se para Conquista, à época município pertencente à comarca de Sacramento, onde assumiu a Banda Musical mantida pela Câmara Municipal daquela cidade. Foi também diretor de uma banda em Uberlândia, cidade onde residiu durante muitos anos, revelando-se sempre um admirador apaixonado pelo vertiginoso progresso desta cidade triangulina.

Voltando a residir em Uberaba, aqui dedicou-se ao comércio. O mercado para a classe musical se encolhia ano a ano, a partir da década de 1940. No final da década de 1950, Ernani tentou fundar uma Corporação Musical à altura das tradições da cidade. Para isso, trabalhou e criou finalmente a Associação Musical de Uberaba. Mas apesar de todos os esforços, de bater em todas as portas de todos os políticos, estes só fizeram muitas promessas que não se concretizaram. Não foi possível obter dos poderes públicos municipal, estadual e federal qualquer auxílio, por menor que fosse, para que Uberaba pudesse contar com uma banda musical ou orquestra local. Foi uma grande decepção desistir desse sonho.

Durante toda a sua existência, a sua grande preocupação foi a música, na qual se distinguiu como compositor dos mais inspirados e também como instrumentista de aperfeiçoada técnica e grandes recursos. Escreveu romanzas, marchas, valsas e habaneras. Entre suas inúmeras marchas, destacam-se: Separação do Triângulo; Gabriel Totti; Araguari Atlético Clube; Uberlândia, jardim do Triângulo; Uberaba, capital do Triângulo; Cinquentenário do Lavoura e Comércio; Carlos Maria do Nascimento e Sorridente. Sua valsa “Um Pobre Artista” foi tocada em 4 de janeiro de 1914 pela Orquestra da Confeitaria Central, sob a regência de seu irmão Rigoletto Di Martino.

Vitimado por uma trombose, Ernani Di Martino faleceu em 6 de janeiro de 1963, aos 79 anos de idade. Do casamento com a sra. d. Maria Lemes Di Martino, teve quatro filhos: Irma, Norma, Wilmar e Noely. Nossa homenagem a esse grande músico que viveu os anos áureos da vida musical de nossa Uberaba e deixou seu nome entre os grandes músicos do passado.

Olga Maria Frange de Oliveira

Professora de piano, regente do Coral Artístico Uberabense, autora do livro “Pioneiros da História da Música em Uberaba”, ex-Diretora Geral da Fundação Cultural de Uberaba

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