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Islamitas e Cristãos

Sabe-se que a vida no planeta Terra não é de hoje nem de um antanho recente

Samir Cecílio
Publicado em 17/04/2011 às 14:25Atualizado em 20/12/2022 às 00:47
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Sabe-se que a vida no planeta Terra não é de hoje nem de um antanho recente: ela se perde nas amarfanhadas dobras do tempo, anos aos milhares no mínimo, em lenta e metódica evolução, desde o princípio até a chegada, ou aparecimento, do Homo sapiens – você que me lê, e eu, quem escreve.

Naquele tempo, quero dizer o tempo antes das parábolas, em que nem bem éramos macaco nem humano, mas dotados de rabo, assim como atualmente a maioria dos políticos de todas as nações civilizadas (o Rio de Janeiro à frente, com o organizadíssimo Comando Vermelho), parecia não se preocupar Deus com a salvação das almas; elas não eram então visíveis ou já nasciam com salvo-conduto para o Céu. Só que muita gente se perdia pelo caminho com a falta de mapas, pois a cartografia era ainda uma arte desconhecida.

Eu não sei como as religiões surgiram, ou como evoluíram do fetiche para o sublimado estágio atual; é bem triste que milhares de almas tenham perdido o “Paraíso” por puro esquecimento delas por parte do Criador, e elas vieram, ou tiveram essa pretensão, de sanar a lacuna.

Mika Waltari, escritor finlandês, costuma levantar em suas obras aspectos interessantes de algumas religiões. Ninguém duvida que a católica, a de Jesus Cristo, e a islâmica, a de Maomé, sejam as principais.

Embora descendente de árabes, era a católica ortodoxa a religião de meus ancestrais, e já eu, na nona década de minha vida, não me abalo a uma opçã acho-me envolvido e resguardado pelo manto verde da deusa natureza e do fetiche das coisas primitivas.

Não é o “celular” que me põe em comunicação com as pessoas – e o meu entorno, nem os templos, magníficos e acintosos alguns, com os mistérios e incógnitas do além.

A vida dos aborígines americanos piorou com as caravelas de Cabral e Vespúcio; piorou com a mentalidade “renovadora” de Roma (a Cruz) e de Reis católicos (Península Ibérica), iniciada com a expulsão de judeus e mouros do Ocidente europeu. A caridade e tolerância cristãs alimentadas a ferro e brasa!

Bem, deixando a voragem temporal amarfanhar essa pequena e involuntária digressão, retomo o timão do barco, ou melhor, restituo-o ao finlandês Waltari, de velha raça de navegadores. Numa de suas obras, O Renegado (Mikael Hakim, no original), há um diálogo, mas dele transcrevo parte, como se fosse um monólogo. Ei-la: - “Ai de vós, judeus e cristãos que recebestes as Escrituras, mas que em vossa descrença continuais corrompendo os ensinamentos de Abraão e Jesus, afastando-vos assim de Deus único! Nós, muçulmanos, reconhecemos Abraão e Jesus, que foi um santo homem, bem como sua mãe, Maria. Mas não os adoramos como deuses, porque Deus onipotente, onisciente e eterno é um e indivisível. Logo, os cristãos pecam gravemente venerando imagens em suas igrejas, já que de Deus não pode ser feito nenhum simulacro. Além disso, constitui erro abominável – mais do que isso, blasfêmia – dizer que Deus tem um filho. Os cristãos vêem a Divindade em forma tríplice, como um bêbedo vê desdobramentos.”.

Moral da história: em toda questão, mais vale uma boa análise que amor à primeira vista, razão por que é melhor alvitre a gente não se meter em alheias rixas.

(*) Médico

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