ARTICULISTAS

Justiça ou justiçamento?!

Leuces Teixeira
Publicado em 20/03/2014 às 10:42Atualizado em 19/12/2022 às 08:33
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De tempos em tempos, ante o aumento da criminalidade, reacende no ser humano um sentimento de angústia, medo, insegurança, entre outros. Considero um sentimento normal por parte dos homens de bem e do bem. Sou advogado criminalista? Sim, claro que sim, é um fato incontroverso. Todavia, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Não podemos jamais perder o senso e equilíbrio diante de qualquer situação. Não vejo com bons olhos os programas jornalísticos dando a maior ênfase, alguns, inclusive, partindo para a incitação ao crime. Isto é muito grave. Todos os dias, ininterruptamente, os âncoras televisivos, alguns pelo rádio, postando como figuras luminares e entendedores de tudo. Veja o último episódio de um discurso radical e infeliz lançado pela jornalista Raquel Sheherazade: “Adote um bandido”, leve um para morar na sua casa!

Classifico essa atitude de irracional e politiqueira na busca de audiência custe o que custar. Querer fazer o discurso fácil, imoral, aético e desrespeitoso é atitude de pessoa mal-intencionada, mais ainda, não querer levar e elevar o debate para o local adequado. Aplaudir o tresloucado ato ocorrido no dia 31 de janeiro na cidade do Rio de Janeiro, acorrentando um adolescente de 15 anos a um poste e praticando atrocidades, fazendo “justiça” com as próprias mãos. Quero deixar bem claro que não estou criticando a imprensa, o direito de informar, jamais faria e defenderia tal coisa. O direito de informar é sagrado, constitucional, um dos grandes pilares da democracia. Todavia, o que estamos vendo e presenciando na grande mídia, nos chamados programas sensacionalistas dos fins de tarde, começo da noite e de manhã, é uma verdadeira barbárie, um verdadeiro chamamento e culto para a desordem; um verdadeiro atavismo, ou seja, fazendo com que o homem volte às eras primevas, ao tempo das cavernas, do olho por olho e dente por dente.

Chamar qualquer cidadão para que assuma sua responsabilidade diante de um ilícito penal é a prática vigente e legal nas sociedades modernas. Vejo também, nessa mídia comprometida com o índice de audiência a qualquer custo, certo cinismo e jogo baixo, baixo mesmo. Vou explicar. Eles atacam a chamada criminalidade visível, mirim, a custo de muito sangue e tragédia. Os chamados crimes do colarinho-branco, praticados de paletó e gravata, dentro dos altos gabinetes, com ar-condicionado, cercado de mordomias, seguranças, nos mais altos palacetes, em todos os níveis, com prostitutas pagas a peso de ouro, estes não são chamados e ovacionados para que a voz da turba faça o tal justiçamento.

Ao contrário, são elogiados e paparicados nos presídios - veja os PeTralha$. Conheço um caso de uma autoridade que, ao que consta, pelo menos são sei, se está afastado do cargo, se está aposentado, quanto está recebendo, se vai voltar trabalhar, se taca pedra em avião, enfim, ninguém sabe de nada; de uma coisa posso garantir: não está trabalhando e é visto frequentemente em rodas sociais, viagens pelo mundo afora, solenidades, avião, resorts, entre outros mimos. Daí, neste caso, fazer o quê, diante de tal quadro? Justiça ou justiçamento? Ah, não tenho dúvida: um pequeno justiçamento, pequenino, ou seja, umas belas palmadas no traseiro por tratar-se de uma criatura dissimulada e travessa. Este não sai na pequena, média e grande mídia; não dá ibope!

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