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Loucura

A vida é uma piada, ou seríamos nós a piada da vida. Sei lá! É assim que seguimos e assistimos...

Ricardo Cavalcante Motta
Publicado em 28/03/2016 às 08:00Atualizado em 16/12/2022 às 19:33
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A vida é uma piada, ou seríamos nós a piada da vida. Sei lá! É assim que seguimos e assistimos. Quando a vida mostra que governa, não adianta esquivar, ela mostra quem manda, que é ela, tolice tentar contornar. Então, nada de piada, é a vida Mestra resolvida.

Há vezes que até a entendemos irônica ou cínica pelo modo que ela se revela. Ledo engano da nossa limitação. A vida é professora sempre. Sua razão é própria, de plano seu, numa lógica arredondada, não é enquadrada, injusto rotular de cruel. Àqueles que acreditam que a estão regendo, dominando tudo com um raso poder terreno fugaz, apoiados então em suas riquezas, ela comparece do nada. Chega até a matar no auge, em lição aos que ficam.

Aos certinhos, enquadrados, previsíveis, perfeitos no agir comum, nas formas ditadas, no senso mundano social, no tic-tac de ser, a vida não dá os melhores talentos. Esses, que não ousam, não compreendem a vida no mundo redondo cheio de intempéries. Logo aos tachados de loucos que permite maiores talentos, são muitos os exemplos na história.

Fica então disponível a mediocridade aos de agir mecânico. O extraordinário aos extraordinários. Assim os loucos são geniais, talvez melhor seria dizer que os geniais que são loucos. Não me refiro aos dementes patológicos, mas aos de pensamentos que alcançam o infinito, tal como os números que por serem infinitos permitem questionar a exatidão da própria matemática. Nesse contexto tenta evoluir o ser ao verdadeiro amor, objetivo final.

Não raro a vida bole com os corações refratários pela perda súbita do seu triunfo, do colosso passageiro do seu ser. Mostra, severamente em lição, que o exato do viver não existe, não é perene nesse mundo limitado. Contudo, a vida na sua imensidão chama a todos à proposta “louca” da dimensão eterna, infinita, submissa apenas à lei universal do relativo, do atemporal através das lições que dá, com as pertinentes gargalhadas ou lágrimas do viver.

Mas tudo isso é loucura, na leitura dos soberanos iludidos pela soberba.

Ricardo Cavalcante Motta

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