Tem hora que a tristeza é amiga, quem diria? Há quando ela vem do nada, depois se vai...
Tem hora que a tristeza é amiga, quem diria? Há quando ela vem do nada, depois se vai assim, deixando marcas ou não. Sempre é dolorida, machuca, magoa e, de tempos em tempos, surge até sem prenúncio. Ela é caprichosa! Mas má não é.
Há quem viva com ela. Há até quem seja apaixonado por ela, mas ela não gosta disso. A tristeza gosta de ser livre, não gosta que a prendam em si, assim perde sua razão. Ela tem que ser dividida, sabe disso. A tristeza tem a sina de ensinar, não de matar, de destruir. Não quer finalizar, quer é provocar recomeço. A tristeza ama como palmada de pai, que quer mais é o bem.
A tristeza, às vezes, chega de mansinho, parece motivada do nada, mas vem com o seu objetivo. Quando vem de uma vez, com força, dá lição ao todo, ao que ela atinge e abraça e aos que estão ao seu entorno, observando o seu agir.
Mas, quando ela vem sorrateira para se instalar, vem de leve, motivada por um ato apenas, sem impulso, então a tristeza quer ser amiga, quer obrigar a pensar, a sentir de fato seus sentimentos, a avaliar a sua alegria, a questionar, porque, como a alegria sempre se mostra bela, e nem sempre realmente bela ela é, sendo assim, então, fantasia, vem a tristeza pedir um instante para ver que importante também é. Quer que se entenda o equilíbrio, que se vejam as coisas como são; afinal, alegria demais até inebria, cega, como tristeza demais escurece. É que alegria distrai, não motiva pensar.
A tristeza ama a alegria. Queria ser ela, é muito mais leve. Mas é consciente da inveja. Sua sina, seu dever, seu ofício é fazer pensar, fazer amadurecer, para que se adoce o fruto e a real alegria possa assim emergir.
Faça, então, amizade com a tristeza, note quando ela amiga quer ser. Cresça na sua tristeza sem deixá-la ficar de vez. Afinal, tudo tem sua razão de ser.
(*) Juiz de Direito