“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia ninguém mais para reclamar...”
Autor: Martin Niemöller, 1933, símbolo da resistência aos nazistas.
Analogia do Brasil de hoje com o texto acima: “Um dia vieram e desmonetizaram os blogueiros bolsonaristas. Como não sou blogueiro e nem bolsonarista, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e expediram ordem de prisão contra o jornalista e bolsonarista Alan dos Santos. Como não sou jornalista e nem bolsonarista, não me incomodei.
No terceiro dia, vieram e prenderam o político e bolsonarista Roberto Jefferson. Como não sou político e nem bolsonarista, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram; já não há ninguém mais para reclamar…”
Autor: João Brasilino, pseudônimo de um cidadão brasileiro, não bolsonarista, mas que teve pensamentos ou palavras não concordantes com o STF/TSE, sendo preso por ter cometido o “crime de opinião”.
Conclusã sempre tive extrema dificuldade de explicar fatos às pessoas inteligentes, pois essas, por serem inteligentes, devem fazer parte da solução, a não ser que sejam acometidas da “imunização cognitiva”, pois neste caso sempre têm a verdade pronta, sendo imunes a todas as novas informações ou contra-argumentações, pois têm os receptores cerebrais bloqueados.
As coisas (fatos) falam por si mesmas (“res ipsa loquitur”), o que justifica este texto ser tão curto, pois ele é autoexplicativo.
Nilson de Camargos Roso
Doutor em Anestesiologia, professor aposentado pela UFTM
n.roso@me.com