ARTICULISTAS

Nós e a música (última parte)

Fiquei encantada com um menino na faixa dos nove anos

Beatriz Leal Salvador Caetano
Publicado em 03/09/2013 às 20:13Atualizado em 19/12/2022 às 11:19
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Fiquei encantada com um menino na faixa dos nove anos que, por ser canhoto, insistiu em que a professora dele invertesse as cordas do violão para que lhe fosse possível segurar o braço do instrumento com a mão direita, e tocar com a esquerda, o que não chega a ser uma necessidade. Mas, se até carros são adaptados para portadores de necessidades especiais, muito mais fácil é adaptar um instrumento para um aluno!

Em um estágio, assisti a uma aula que um jovem professor ministrava para alunos na faixa dos cinquenta anos. A determinação deles me fez pensar o quanto alunos nessa faixa etária se sentem motivados para aprender música. Estudam porque querem e não por se sentirem obrigados.

Um talk-show brasileiro apresentou certa vez uma orquestra de violões executando números realmente fascinantes. O entrevistador estranhou o fato de um dos violonistas ter começado seus estudos musicais em idade mais avançada que os colegas. Então o maestro tomou a palavra e disse algo com “Podemos começar a estudar música em qualquer idade. E, conforme o instrumento, é possível atingirmos a perfeição ao executá-lo, mesmo começando mais velhos.”

Quando iniciei meus estudos de bateria, ainda não tinha o instrumento, mas era possível estudar numa das baterias da escola de música, se outro aluno não estivesse tendo aula naquele momento. Eu não perdia essa oportunidade.                

Assim, nada tem o poder de impedir quem quer que seja de tocar: a idade, o fato de não se ter um instrumento musical, o preço dele, a falta de tempo, ou diversos tipos de necessidades especiais.

Quando convidei meus pais para verem o piano que eu havia adquirido depois que me casei, minha mãe marcou o encontro com uma frase que significou muito para mim: “Que este piano lhe traga muitas alegrias.” A frase dela caiu como uma bênção e ecoa sempre em minha mente.  

É provável que muitos tenham começado seus estudos de música em algum momento de suas vidas e tenham desistido. Talvez não tenha sido aquela a melhor época para essa empreitada, talvez não estivessem motivados o suficiente, ou não tenham tido a sorte de encontrar um professor com brilho nos olhos. Entretanto a música está dentro de todos nós, sem exceção. Ela espera uma oportunidade para que nos expressemos através dela. Talvez já tenhamos protelado demasiadamente esse encontro com a música. Será prazeroso nos darmos uma segunda ou terceira oportunidade.

A música imprime novas nuances à vida, nuances capazes de nos transformar profundamente. Ela é uma questão de opção. E todos temos o direito de fazer da música uma bênção em nossa caminhada. Se você não estuda música, pode estar perdendo o melhor da vida.

(*) Estudante de Música e educadora

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