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O legal está proibido. O ilegal continua à venda

Frequento estádios de futebol desde criança. Nunca vi brigas de grandes proporções, envolvendo 30, 50, 100 pessoas, causadas por bebidas...

Ismael de Oliveira
Publicado em 03/08/2018 às 10:18Atualizado em 20/12/2022 às 14:19
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Frequento estádios de futebol desde criança. Nunca vi brigas de grandes proporções, envolvendo 30, 50, 100 pessoas, causadas por bebidas.   A proibição radical do álcool nos estádios de Minas Gerais, deixa evidente que as pessoas responsáveis por tal medida não têm conhecimento de causa, principalmente da realidade nos estádios do Interior. Uberabão e Parque do Sabiá são bem diferentes dos grandes palcos do país.   Estão fazendo uma associação extremamente equivocada dos Hooligans europeus com as pancadarias daqui.   Nossas brigas também são terríveis. E ainda há algo muito pior: os arrastões, nas entradas e saídas dos estádios dos grandes centros. No entanto, nada disso, saibam todos, é provocado por bebida. Mas, sim, por autênticas gangues, motivadas a pó. Logo, o choque de ordem deve ser na boca-de-fumo, e não nos entornos das maiores arenas de futebol, prejudicando os comerciantes legalizados, que têm suas barracas ali, para comercializar a cervejinha. Até porque o torcedor gosta de tomar sua cerveja gelada como preliminar.   Sabe aquele sujeito que encontra a mulher com um outro cara no sofá da sua casa, e aí, como providência, vende o sofá? É isso! Como ninguém consegue pôr fim às gangues, principalmente nas capitais, e aos terríveis arrastões, já presentes no Mineirão, e nem ao pó, pois para isso são necessárias operações muito mais complexas, proíbe-se o comerciante ou ambulante de ganhar honestamente o seu pão, e o torcedor, de beber sua cerveja sagrada.   Pequenos desentendimentos sempre acontecerão em estádios, pois o futebol é, sobretudo, paixão. As gangues e os arrastões vieram com o tempo, a reboque do pó. Acabem com esses três e os estádios voltarão a viver em paz. A propósit cerveja é um produto legal. Pois então, o legal está proibido e o ilegal continua à venda. Por favor, deixem o torcedor tomar a sua gelada!   Por outro lado, o jogador de futebol não é presidiário. Ou seja, ele não é obrigado a ficar trancado dentro de casa nos seus dias de folga. Ainda mais quando são jovens, com dinheiro no bolso e sempre rodeados de mulheres. Entretanto, estar de folga não é sinônimo de “chutar o balde”, pois o dia seguinte é de trabalho intenso e o corpo precisa de descanso, principalmente o de um atleta. Concordo que ninguém deve ficar falando o que o outro deve fazer da própria vida. Mas, no caso de alguns atletas de futebol, que são tratados como verdadeiros popstars, devem, sim, se preservar. E não só no que diz respeito ao físico, mas sobretudo à sua imagem. Ainda mais hoje em dia, em que qualquer pessoa que tenha um aparelho celular se transforma em paparazzi.   O futebol é um grande negócio e com investimentos milionários. Porém, o atleta é um ser humano como outro qualquer. Ou seja, têm suas necessidades, seus defeitos, fraquezas e, como em um conto de fadas, da noite para o dia deixa de ser pobre e anônimo, para ser rico e famoso. Para isso, é preciso ter muita estrutura emocional e, principalmente, pessoas por perto que o orientem da melhor forma, porque o pior vem depois, quando a carreira acaba. Aí, todos(as) somem.

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