Como estabelecer regras e limites?
A família é a chave de tudo. O núcleo familiar consiste no pilar sobre o qual a criança e o adolescente irão desenvolver e edificar seus esquemas cognitivos, sejam estes funcionais ou não. As mudanças na sociedade contemporânea afetaram a família, inclusive na sua própria concepção. O que definirá uma família como tal é a responsabilidade e o compromisso assumido perante a criança.
As crianças aprendem muito com os comportamentos dos pais.
A forma como se educa um filho reflete-se no modo como ele se comportará e nos aspectos que valorizará em sua vida futura. Isso ocorre por meio da aprendizagem de ideias, crenças e valores que ditam as regras do pensar e do agir da criança nas diferentes situações de seu dia a dia. Por isso, os pais têm uma grande responsabilidade na criação dos seus filhos e uma forma de contribuir positivamente é analisar o estilo de educação que se transmite a eles.
Como agir? Recompensar? Punir?
Dúvidas sobre a maneira mais adequada de corrigir um comportamento ou, ao contrário, estimulá-lo são frequentes. Como fazer com que os filhos ajam de uma maneira e não de outra? Para a maioria, a resposta seria impor limites que, se ultrapassados, precisariam ser novamente impostos por meio da punição.
O modo como os pais irão ensinar o que é certo e errado para os seus filhos, como devem agir diante de problemas e outras questões, irá refletir-se por toda a sua vida. Pais otimistas desenvolvem crianças com maior autoestima e competência.
As crianças precisam identificar os limites: o que se pode ou não fazer e quais as sanções no caso da infração dessas regras. A figura de autoridade é fundamental para fazer com que as regras e limites sejam incorporados, especialmente entre os seis e os dez anos de idade, período em que as crianças desenvolvem a moral, incluindo noções de valores ligados à ética, à ideia do certo e do errado, do verdadeiro e do falso.
O castigo físico é totalmente desaconselhado, assim como as agressões verbais. Crianças submetidas constantemente a insultos e humilhações apresentam riscos consideravelmente maiores de sofrer transtornos psicológicos. Os pais, ao se dirigirem aos filhos de forma agressiva, além de minar a qualidade da relação entre eles, desviam o conteúdo da mensagem para a forma como ela está sendo transmitida.
Crianças punidas com castigos físicos costumam reagir do mesmo modo e, mais que isso, sofrem o risco de desenvolver transtornos psicológicos.
(*) Psicóloga Clínica