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O maior amor do mundo!

Acordo bem cedo, já que gosto de fazer meu exercício diário antes do trabalho

Fernando Hueb de Menezes
Publicado em 13/08/2015 às 19:24Atualizado em 16/12/2022 às 22:50
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Acordo bem cedo, já que gosto de fazer meu exercício diário antes do trabalho. Vejo minha mulher e meu filho, ainda bebê, aconchegados na caminha quentinha, após a primeira mamada. Que vontade de continuar ali, grudadinho! Mas a força de vontade prevalece. Coloco meu paramento, boné, óculos e fones de ouvido e saio pela avenida, para uma corrida leve. A manhã é ligeiramente fria e o sereno castiga o corpo ainda sonolento.

Esse momento é só meu, comigo mesmo e aproveito para refletir, pensar na vida, observar as pessoas e reavaliar minhas atitudes. A cada passada, novos pensamentos afloram. Penso nos novos projetos de vida, que se misturam com as angústias já vividas. Penso nas pessoas queridas que me cercam e nos desafetos que eu não gostaria de ter. Penso em tantas coisas ao mesmo tempo, que as ideias se confundem, mas a terapia é válida.

Após alguns minutos, na metade do caminho, vejo adiante, sentada num ponto de ônibus, uma mãe, com um pequenino no colo. Imediatamente, toda minha atenção se volta para aquela cena. A mulher ali sentada, envolvendo sua cria numa manta leve e gorrinho na cabeça, amamentando ao relento aquela criatura indefesa, esperando a condução para a lida. Naquele instante, diminuo o ritmo e me emociono. Consigo perceber a mãozinha acariciando o peito da mãe. Vejo que mesmo naquele ambiente desabrigado, a criança se sente segura, amada e protegida. Nem percebe o que se passa lá fora.

Sinto um desejo súbito de voltar pra casa. Acelero os passos. Aquela imagem não desprendia da minha mente. Meu peito ardia e meu coração soluçava. Pensava no quanto deveria agradecer a Deus, por poder manter meu filho protegido em casa todas as manhãs. Queria chegar logo para vê-lo e abraçá-lo. Como uma pessoinha tão pequerrucha poderia reavivar tanto amor. Um amor incomparável, tão puro e sublime! Abro a porta do quarto. Lá está ele, com aquele rostinho sereno e tranquilo, na mesma posição de quando o deixei, coladinho na mãe. Com os olhos inundados de lágrimas, rogo meu pensamento para aquela mãe com o seu bebê, que, apesar de fisicamente desamparados, estavam desconectados do mundo, cobertos e enclausurados pelo amor, verdadeiramente, o maior amor do mundo!

(*) Professor e pesquisador da Universidade de Uberaba; chefe de Gabinete da Prefeitura de Uberaba

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