ARTICULISTAS

O Mosteiro da Glória II

Um pouso suave sobre a infância e um convite para destrancar a porta das minhas lembranças...

Solange de Melo M. N. Borges
Publicado em 30/06/2017 às 20:59Atualizado em 16/12/2022 às 12:20
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Um pouso suave sobre a infância e um convite para destrancar a porta das minhas lembranças mais doces, foi o que o meu querido ex-aluno, colega de magistério superior e grande amigo Karim Abud Mauad, intitulou como Mosteiro da Glória, em sua belíssima página na seção Articulista, do Jornal da Manhã de 26/06/2017.  Ao lê-la, com o coração embalado pela calma dos jardins, pelo colorido dos tijolinhos à vista que se espalham por todas as construções e a imaginação presa às imagens daquele reduto de silêncio e paz, revisitei, lentamente, o catálogo dos meus anos de criança simples e feliz, bem ao lado do Mosteiro Nossa Senhora da Glória, no bairro São Benedito, lá no fundo, quase chegando ao Santa Maria.

O aroma das flores e o verde das plantas ganhavam mais vida e proporcionavam beleza ainda maior com o sol da manhã que se espalhava por todos os cantos preenchendo os sentidos e trazendo uma paz sem igual. Ainda hoje, o cenário é o mesmo!

Suas frondosas mangueiras, no entorno, bem próximas dos muros, eram alvo da meninada que em época de mangas não dava muito sossego às irmãs. Estava sempre empoleirada em busca das frutas maduras e muito doces.

A missa, aos domingos, era uma obrigação a ser cumprida por todos da família. No meu tempo, Dom Sebastião, com seu vozeirão enérgico e direto, enchia de vigor e, às vezes, até com receio, as manhãs naquela capela linda e iluminada pelos vitrais coloridos. Ao lado do altar, no espaço reservado, ficam as freiras beneditinas que entoam, em latim, os cantos gregorianos, um ritual litúrgico que conduz à meditação.

Surgidos na era medieval, os cantos são verdadeiras orações através das vozes que espalham tranquilidade, calma e quietude para a nossa alma.

Logo após a saída da capela ficavam os aposentos de uma figura especial,  de um padre de cabeça branquinha, com sua bengala, acompanhado por um cachorrinho.  Era D. Leopoldo. Ah, as bolachinhas deliciosas que repartia com as crianças que o visitavam eram ansiosamente aguardadas. O sabor inigualável guardo até hoje na minha memória gustativa.

A “elétrica” irmã Pia cuidava do jornalzinho e de outras muitas atividades com as crianças e os jovens. Irmã Gema, calma e serena, dava aulas de bordado. Entre pontos e linhas surgiam belíssimos trabalhos e talentosas bordadeiras. Não foi o meu caso, apesar de dedicada e ter cumprido todas as etapas do curso não me revelei nas artes de entrelaçar as linhas coloridas.

Exímias panificadoras que são, as irmãs do Mosteiro N. S. da Glória se dedicam aos pães e receitas deliciosas.

Sem qualquer ritual litúrgico, deixo a cena com muitas saudades e bonitas recordações!

Se você tiver oportunidade, se não tiver, faça-a, visite o Mosteiro.  Vai se encantar com o ambiente aconchegante e lindo! Descubra esse paraíso em Uberaba. Aproveite a beleza da capela para rezar pelo nosso Brasil. 

(*) Professora

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