No final da década de noventa, o Brasil vivia o apogeu de estabilidade econômica, cujos reflexos eram vistos e sentidos em todo o mundo
O presidente desmedido
No final da década de noventa, o Brasil vivia o apogeu de estabilidade econômica, cujos reflexos eram vistos e sentidos em todo o mundo, levando seus agentes políticos à referência frente aos demais, e a pontos que antes nunca havia estado, como ocorreu no G-20 (formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia), e o BRICS (grupo político de cooperação formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
No início do século XXI, sob as rédeas do Presidente Lula, o Brasil assumiu uma arriscada postura governamental frente alguns países da América Latina e da África, como Angola e Moçambique, de modo a utilizar o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) para financiar projetos no exterior. A partir daí o dinheiro rolou solto, e estima-se que entre 2003 e 2015 o nosso País tenha liberado 14 bilhões de dólares, somente no exterior, ou seja, 43,4 bilhões de reais.
Conforme bem frisou Fábio Zanini, em sua obra “Euforia e Fracasso do Brasil Grande”, o projeto de poder do presidente no exterior incluiu também empreendedores e aproveitadores na construção civil, no agronegócio e no setor petrolífero. A lista de projetos inclui financiamentos contratados a exportações de serviços de engenharia da Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez em nove países: Angola, Cuba, Venezuela, Moçambique, Argentina, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Gana. A carteira de exportação de serviços do banco tem ao todo 47 projetos, com financiamentos de US$ 13,5 bilhões, entre os quais estão os 25 acima.
Uma década depois da eleição de Lula, as rachaduras causadas por esta euforia desmedida se tornaram evidentes, ao ponto de levar o financiamento público para obras de infraestrutura para países fronteiriços e também africanos, como se o Brasil fosse um verdadeiro Banco Mundial.
A Polícia e o Ministério Público Federal já puderam apurar que este sistema utilizado pela governança lulista, ao estilo Imperialista, integrava um gigantesco esquema de tráfico de influência e pagamento de propina que envolvia as mesmas empreiteiras já letradas na Operação Lava Jato.
Os resultados estão por vir, e o que se espera é uma avalanche de novas denúncias, mandados de prisão de empresários, políticos e colaboradores pela prática de crimes durante as operações de financiamento de projetos no exterior por parte do BNDES durante o governo Lula. Apertem os cintos.
Paulo Leonardo Vilela Cardoso