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O RESGATE

O mundo do futebol nem imaginava que aquela tarde de 05 de julho de 1982, em que 44.000 espectadores superlotavam o acanhado estádio do Espanyol...

Celso Coelho
Publicado em 17/03/2010 às 21:31Atualizado em 20/12/2022 às 07:31
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            O mundo do futebol nem imaginava que aquela tarde de 05 de julho de 1982, em que 44.000 espectadores superlotavam o acanhado estádio do Espanyol, fosse um cenário perfeito para uma das maiores tragédias do futebol. A tragédia do Sarriá. Naquele dia o mundo assistiu a queda de um escrete, que encantava com seus craques, a gregos e troianos, ao ponto de ser julgado imbatível, mas, que não resistiu, mesmo jogando pelo empate, aos gols do medíocre Paulo Rossi.                A seleção do mestre Telê Santana, com Falcão, Zico e Sócrates, era eliminada pela seleção de Enzo Bearzot, com Collovat, Gentili e Cia. Aquela tarde jamais será esquecida pelos amantes do futebol arte. Ali foi o prelúdio do futebol de resultados. O pragmatismo tomava conta do esporte bretão. Abaixo os craques; que venham os brucutus! E vieram muitos. Dungas, Mauros Silvas, Emersons, Vampetas, Torós e Cia. A criatividade, a picardia do craque brasileiro passou a dar lugar para a força, a violência. A figura do cabeça de área passa a ser fundamental em qualquer time.             28 anos depois, eis que surge, em campos praianos, no berço da realeza, a melhor safra dos Garotos da Vila. Neymar, Andre e Ganso, muito longe de serem Zico, Sócrates e Falcão, encantam com a leveza e a malevolência do futuro craque, e nos reporta aos tempos idos, trazendo-nos a certeza de que a esperança é a última que morre. O time comandado pelo principiante e competente Dorival Junior, não é obrigado a resgatar o futebol arte. Mas, é inegável que esta é a maior oportunidade para que o Santos comece a plantar e a tratar de maneira bastante efetiva as boas sementes que guarda em seu celeiro.               Daí para o resgate será questão de tempo. Que uma derrota, muito semelhante à do Sarriá, recheada de críticas dos adeptos do futebol força, não interrompa os planos para o futuro. Vem aí a Copa de 2014. Daqui a quatro anos, o tempo é suficiente. Já imaginaram o nosso futebol resgatando o futebol arte junto com uma conquista mundial aqui no Brasil? Coragem, pois há muito trabalho pela frente. Sigam, não desanimem. Os deuses do futebol hão de abençoar.

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