Na obra de Lima Barreto, autor brasileiro do século 19, intitulada O Triste Fim de Policarpo Quaresma, na última parte, fica uma pergunta que persiste nos dias atuais:
“O que é que a gente precisa fazer para o Brasil dar certo”?
Não raro, a resposta vem da seguinte forma: “é preciso escolher certo os governantes”. No entanto, por mais que a sociedade tenha evoluído na sua capacidade de discernimento político, ainda não lhe é possível fazer as escolhas mais acertadas. Além disso, as pessoas que se apresentam para ocupar os cargos na área da legislatura e da administração pública, são, via de regra, o que há de “segunda linha” na sociedade.
Então, como escolher?
Por certo que as opções ficam restritas a uma relação difusa do partido com o eleitor ou à preferência deste por algum candidato, apenas na proximidade de uma data eleitoral. Assim, nesse ambiente, a busca do bem-estar social, após a eleição, estará condicionada a um comportamento individualista de especificação complexa para o entendimento do cidadão comum e que deveria ser o beneficiário do processo político, mas não é.
Desse modo, assume grande importância, sob a minha ótica, um novo modelo para os partidos políticos, de tal forma que, de fato, promovam a vontade do cidadão em materializar sua preferência em torno de motivações especiais e coletivas. Além disso, é preciso equacionar essa “aberração” que é a eleição de dois em dois anos. O País, os Estados e os Municípios vivem em constante “estado de campanha” o que cria sérios obstáculos às realizações que são do interesse da população. Tal possibilidade de mudança se dará por uma ampla reforma política, sobre a qual tanto se fala e nada se faz, o que propiciará a oferta de mecanismos nos quais os indivíduos possam influenciar o governo tanto quanto os atuais grupos de interesse. Que modelo é esse? Com a resposta os legisladores do País.
O modelo em vigor hoje retrata uma fina sintonia entre burocratas e políticos o que, longe de ser uma ocorrência fortuita, tem sido a patrocinadora da corrupção recorrente. Um exemplo desse esquema eleitoral ultrapassado é o conjunto de crimes contidos na Ação Penal 470 – a do “Mensalão” do PT. Nesse emaranhado de corruptos e corruptores ficou claro para a sociedade brasileira que a política tem se processado sob o controle de agenda da burocracia.
Então, repetindo a pergunta de Policarpo Quaresma, o que devemos fazer para o Brasil dar certo? Em 2014, o País será chamado às urnas; ainda não faremos o “nosso dever” de maneira correta, mas, poderemos fazer melhor as escolhas, pode ser o início do sonho, não um triste fim.
Amém.
(*) Professora licenciada da FCETM