No dia 21 de abril de 1998 aqui cheguei de mala e cuia, com minha família: eu, minha esposa, Sandra, e meu filho, João Vitor, na época com apenas 51 dias de vida. Logo percebi que o destino havia me trazido para um local especial, onde havia gente especial. A acolhida foi a melhor possível, com todo o estímulo para o trabalho. Aqui, vi minha Luísa nascer, no dia 24 de outubro de 2001. Aliás, aqui venho presenciando meus filhos crescerem. Não tardou e logo percebi que embora o destino não me tenha dado a honra de ser filho de Uberaba permitiu-me ao menos ser pai de dois deles: Luísa e João Vitor. Os últimos 15 anos e 8 meses foram maravilhosos, pois mais que presenciar a acolhida majestosa dispensada a minha família, tive a oportunidade de contar nos meus afazeres profissionais com o apoio de uma sociedade que nunca permitiu que me sentisse sozinho nos embates jurídicos que travei. Pelo contrário, nunca me faltou encorajamento, oriundo dos mais variados setores. Na imprensa uberabense encontrei profissionais sempre prontos a disponibilizar-me um canal de comunicação com a população, de forma a dar o máximo de transparência possível ao meu trabalho. Na Maçonaria encontrei o respaldo de homens de bons costumes. No Poder Judiciário tive o privilégio de trabalhar com juízes e juízas comprometidos com as causas da Justiça, contando ainda sempre com a compreensão e presteza dos incansáveis serventuários do Judiciário. Nas Polícias Civil, Militar e Federal nunca me faltou a certeza de que nelas sempre teria, como tive, o respaldo necessário para as causas justas. Da OAB e Defensoria Pública recebi o respeito e o pronto diálogo dos colegas Advogados e Defensores Públicos. No Ministério Público sempre recebi o abraço da amizade sincera de meus amigos Promotores de Justiça, grandes incentivadores e mestres, além de dispor de um seleto quadro de servidores, estagiários e terceirizados dedicados e operosos. Aliás, foi neste mesmo Ministério Público que tive o imprescindível suporte da equipe da 15ª Promotoria de Justiça e da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público do Triângulo Mineiro, formada pelos servidores Maria Inês, Felipe, Flávia, Marcelo, José Augusto e Renata, cuja lealdade, amizade e comprometimento com a causa pública levarei como exemplo por toda minha vida. Enfim, na sociedade uberabense senti o aconchego do colo de uma mãe. Não é à toa que me apaixonei por Uberaba. Hoje me despeço das funções de Promotor de Justiça de Uberaba, não de forma definitiva já que pretendo voltar em breve. Tenho consciência de que deveria ter feito mais, muito mais, mas assim como qualquer ser humano também possuo minhas fraquezas e limitações. Por isso, neste dia, peço a cada uberabense que tenha em seu coração uma certeza: a de que levo comigo a convicção de que apesar do destino não ter permitido que Uberaba fosse minha primeira Comarca, ela representa na minha vida muito mais do que isso, Uberaba é uma Comarca de primeira, em razão do povo maravilhoso que possui. Muito obrigado, Uberaba, e até breve.
(*) Um cidadão brasileiro que teve o privilégio de ser promotor de Justiça da Comarca de Uberaba-MG