As condenações lançadas no processo do mensalão tornaram públicas condutas criminosas praticadas pelos membros do Executivo e Legislativo, especialmente no que se refere a valores pagos a título de “mensalidade” para que determinados partidos orientassem os seus membros a votarem emendas e projetos de acordo com o governo.
Veio a público, também, a artimanha de manobras entre agentes do governo e empresários para o financiamento de campanhas eleitorais, em verdadeira operação toma lá, dá cá.
Com o Petrolão não foi diferente. Afinal, os empresários financiavam as campanhas políticas para ter em troca benefícios para a construção de refinarias. Pelas palavras do ministro Gilmar Mendes: “PT instalou financiamento público com dinheiro do petróleo”.
Na mesma esteira surgiram as irregularidades nas contas públicas apuradas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), neste último dia 7 de outubro, que somam R$106 bilhões, sendo R$40 bilhões referentes às chamadas “pedaladas fiscais”, e ao que tudo indica, o mesmo vício ocorreu nas contas de 2015, já objeto de apuração.
Como forma de tentar conter eventual processo de impeachment, o Governo se volta contra as denúncias deflagradas contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelejando para a sua saída, ao que parece, mais por medo de ver contra si deflagrado o referido processo do que para apurar os desvios e ilícitos por ele praticados.
Tanto assim que o STF já foi acionado para suspender todos os procedimentos referentes aos pedidos de impeachment, em verdadeiro ato de “judicialização do Legislativo”.
Ainda para se manter, a Presidente entregou todo o poder aos membros da base aliada, em especial ao PMDB, a quem no primeiro mandato não deu a mesma atenção, outorgando a vara de maestro ao ex-presidente Lula, de forma a tentar minimizar os efeitos políticos da crise.
Enfim, a preocupação em se manter no poder tem superado todos os princípios constitucionais vinculados à cidadania e à dignidade da pessoa humana, enquanto a galope disparam a credibilidade, o dólar, a inflação, o desemprego, a gasolina, os alimentos e, agora, os medicamentos, tornando o futuro do brasileiro algo incerto. Onde vai parar este trem? Indaga o bom mineiro!