Será que o Brasil está condenado ao crescimento medíocre? Esse movimento, “a toque de caixa”, de construção de estádios e demais equipamentos para a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 revela claramente que ainda não foram criadas condições para excluirmos da nossa pauta a teoria do “voo de galinha”, que ilustra a forma como o País cresce em alguns momentos.
Com mais de sete anos de anúncio definitivo da realização dos eventos no Brasil, somente no limite dos prazos possíveis as obras foram iniciadas, com poucos recursos e muito faturamento em favor de orçamentos que duplicaram em tempo recorde. Esse tipo de obra é de longo prazo e exige produtos elaborados com alta tecnologia e serviços qualificados. Alguns projetos ainda não saíram do papel. Não foi feito um planejamento integrado, inteligente e confiável. E, olhe que, segundo publicações diárias, já foram gastos R$28 bilhões!
A outra parte desta verdade está na seguinte constataçã qual será o destino destas obras bilionárias após as competições? Não haverá demanda suficiente, sequer, para gerar receitas para a manutenção dos “elefantes”.
Mesmo durante os eventos, as receitas esperadas com os gastos do turista estrangeiro estão comprometidas pela ampla divulgação das manifestações que, nas principais cidades, como o Rio de Janeiro, se transformaram em “verdadeiro horror” com as depredações do patrimônio privado e do patrimônio público. Os possíveis visitantes não têm segurança garantida e, portanto, não estão dispostos a colocar suas vidas em risco no Brasil.
Como se não bastasse a falta de segurança, os turistas terão à sua disposição aeroportos sem condições de oferecer bons serviços. A mobilidade urbana é de péssima qualidade, com ônibus abarrotados, trens e metrôs com poucas linhas e sempre cheios, quando funcionam.
Não há lugar para otimismos exagerados, elaborados por agências de comunicação, devemos ser realistas. Temos prioridades básicas não atendidas minimamente, qual o sentido de tantos recursos gastos com eventos esportivos?
Senhoras e senhores, após o espetáculo, o Circo Brasil não saberá o que fazer com os caríssimos “elefantes brancos”. Ah, e o pão estará escasso sobre a mesa.
(*) Economista e professora da FCETM