Padrões são estabelecidos, sabe-se lá por quem. Há alguns de fato relevantes, são aqueles...
Padrões são estabelecidos, sabe-se lá por quem. Há alguns de fato relevantes, são aqueles relativos à conservação da saúde, do bem-estar geral, dos que têm efeito prático na convivência social. Dormir, alimentar adequadamente, fazer fila...
No entanto, há em voga diversos outros padrões dispensáveis, estabelecidos por imposição da mídia geral, que não atingem nada mais que o psicológico pessoal, e que têm murchado pessoas que aceitam essa impiedosa e massacrante imposição. Seguir todo o tempo sob medidas numa convenção não escrita, sem lei, apenas pela imposição de uma maioria circunstancial é, de fato, intolerante. Há momentos em que se quer andar fora da trilha, fora do cano, fazer curvas, piruetas, não só numa retidão, incompatível com o mundo redondo e sinuoso. E sem precisar de ferir a lei. Por que há que se manter sob o padrão de magreza da moda? Moda não é norma e é passageira, como o nome demonstra. Atrás de se encaixar nesse quadrado vem tanto sacrifício, até da saúde, da alegria, da boa convivência.
A estética anda impondo rigores insuportáveis e as pessoas têm cegamente se submetido a essas exigências do invisível social, ante os modelos de toda ordem apresentados nas telas. Alto lá. Não se come um saboroso alimento porque poderá ficar algo mínimo fora do padrão. Então o que passa é a vida. Mas, o padrão recusa a velhice como ápice e exige a juventude como único modo de bem existir. Ou seja, exige o impossível.
A moda é valorizar o corpo mais que o sentimento. Mas há também a ousadia de se estabelecer até padrões para o pensamento, para o amor. Delegados de ideologia, de comportamento, de posturas... As pessoas sofrem e se submetem pela inconsciência de que não estão subordinadas estas posturas. Tomar tenência disso e avaliar até que ponto anda obedecendo a tal imposição é questão necessária para aferir quando e para o que há que se dar o grito de independência. Afinal, a felicidade não tem padrão, é medida pessoal.
(*) Juiz de Direito