“Dezembro vai, janeiro vem / O tempo passa veloz como um trem / No rádio a notícia, um amigo se foi / Atrás dos mistérios que sempre buscou / Mais uma pra estrada, mais um fim de show / Ao som das guitarras do bom rock’n’roll.” Dois grandes intérpretes da música popular brasileira, Almir Sater & Renato Teixeira nos levam a ouvir emocionados “Assim os dias passarão”.
Nossa! Que ano difícil de passar este 2022! Quanta coisa rolou, e ainda falta o mês de dezembro para acabar! Mente e corpo esgotados, mas a esperança da chegada do Menino Deus nos acalenta a alma! Essa data maior do Cristianismo nos traz momentos de preparação e orações! Temos netos, filhos, amigos e nessas comemorações natalinas – festas de beleza, celebração do nascimento de Jesus – é o momento de luz em sua casa e de preparação da ceia de Natal, algo de que não abro mão! O Papai Noel, símbolo criado pelo holandês Nicolau, que entrega mimos e presentes, ainda resiste ao tempo!
Haja entusiasmo neste finalzinho para o nocaute da vida! Cai, 10 segundos, levanta! Um ano de fake news e verdades assustadoras! Quanta gente dando opiniões nas redes sociais! Uma loucura que nos leva à Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Psicólogos nos alertam! Cuidado! Isso desencadeia a depressão!
O Brasil, nesta patuscada, fala sem parar na Copa do Mundo no Catar! E as camisetas amarelas continuam vendendo! Que sorte para os bolsonaristas! Gente colocando fotos, mensagens políticas, religiosas, queimadas na Amazônia, preconceitos, tanta coisa que mal damos conta de ler e curtir tudo. Facebook, Instagram, WhatsApp, filmes para assistir na Netflix empipocam nosso cérebro. Séries espetaculares! Um montão!
Assisti, outro dia, a uma série coreana que se chama “Navillera”. Superinteressante, porque ali tem um patriarca coreano aposentado que tem 70 anos que deseja aprender balé! Um filme sensível! Por que esse amor pela dança?
Nestes tempos de liberdade ou libertinagem, o mundo enlouqueceu? No meio de tantas notícias sérias e clichês mentirosos, estamos tendo disponibilidade para ouvir o nosso coração? Momentos para fazer o que gostamos realmente? Encontrando caminhos? Muitas amigas entram nas lives, passam quatro horas sentadas, vendo e comprando turbantes, colares, brincos, vestuários, sandálias, bolsas! A vida é só isso?
Hoje sabemos que, como o coreano aposentado de 70 anos quis aprender balé, temos que correr atrás do que ainda nos aproxima da construção de nossas vidas, do que gostamos! Nossos sentimentos são preciosos! Fora da barulhada toda de TV e internet, reciclar é a palavra da moda. Quebrando padrões e preconceitos, vamos reciclar a nós mesmos! Ler um livro no silêncio da varanda, ficar em solicitude, cantar no coro da igreja e liberar os pulmões, aprender a respirar, dançar para alongar o corpo, ioga, entrar dentro de uma piscina, ir passear com seu pet, mergulhar nas flores de seu jardim, cuidar de sua hortinha orgânica, passear com filhos e netos, ir ao teatro, recitais, sair com amigas – lazeres iluminam a mente e o corpo! Parar jamais!
A cantora Rita Lee disse que já se cansou de se drogar, transar, viajar. Agora, seu caminho é cozinhar. “Cada panela tem a sua tampa!” Este é o momento! Estamos nos esquecendo dos nossos prazeres! Convenhamos, a vida é cíclica e, sendo assim, não caminha em linha reta, ela tem obstáculos. Temos que estar preparados, somos seres mutantes, a capacidade de encarar essas mudanças está dentro de nós. Somos mais fortes do que pensamos! Refletir profundamente sobre a própria existência, os detalhes do que apreciamos e as escolhas do presente são valiosas, pois nos ajudam a caminhar para um futuro melhor!
Tenho aprendido com a vida a importância da construção de nossa existência! Uma das melhores saudades... tardes de domingo... papai, jornalista talentoso, moderno, tirava o pé do acelerador e sentava à mesa – com a irmã, tia Iná de Sousa; o namorado Pedro Sarkis; mamãe, em uma parada obrigatória – para jogar “buraco”. Às vezes, com parceiros... Ani com mamãe e eu com papai e vice-versa, até a noitinha. As duas atentas! Concentração, paciência, resiliência! Quanta sabedoria! Vamos ser autoras e autores do nosso destino!
“Assim, os dias passarão / Virão as novas gerações / Outras perguntas, prováveis canções / Outro mundo, outra gente, outras dimensões / E na hora marcada em algum lugar / Uma estrela virá para lhe acompanhar.”
Pense nisso!
Dois beijos
Iná e Ani
gemeasanina@hotmail.com