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Partido Uberaba, Partido alto

O áspero ofício de alinhar palavras para serem lidas e esquecidas, como diz o escritor

Solange de Melo M. N. Borges
Publicado em 28/12/2017 às 19:19Atualizado em 16/12/2022 às 07:43
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“O áspero ofício de alinhar palavras para serem lidas e esquecidas”, como diz o escritor Fernando Sabino, é para mim um tamanho atrevimento que aguça a responsabilidade de não sentir jamais o tédio, o fastio da vida. Fico entusiasmada com temas difíceis como o que sabiamente, há algum tempo próximo, foi posto em tela pelo uberabense apaixonado que é Karim Abud Mauad. É preciso criar, ressuscitar, despertar e/ou fundar o Partido Uberaba!

Lembro com certa impaciência e interrogação que durante toda a minha infância fui acordada pelo alarme/relógio de ponto da Indústria Têxtil, uma gigante que empregava centenas de pessoas que se orgulhavam de ter um emprego naquela respeitável empresa. Além disso, sonorizava o bairro São Benedito e adjacências com o seu famoso e competente sinal.

Os grandes atacadistas eram fornecedores para a região e todo o Brasil Central; o movimento era intenso no setor, contribuindo para geração de renda e emprego.

Os Produtos Céres. Uma potência na fabricação de óleos comestíveis. Mais emprego e renda.

A Faculdade de Medicina e os grandes médicos irradiavam o que havia de mais moderno em se tratando da saúde de boa parte de brasileiros deste interior. As pensões, os hotéis, o comércio, com toda a sua pujança, tornavam a cidade um polo de crescimento e de robustez na economia.

Subjacentes a tantos predicativos econômicos, surgiram fortes as representações classistas. Homens de valor, sábios, ricos e donos de espírito empreendedor. Eram personagens da maior importância e vigor, com prestígio nas mais altas esferas administrativas do país.

Ao longo do tempo, o povo altruísta e muito educado foi cedendo cadeiras para visitantes que, ao final, tomaram os seus lugares. É interessante a continuação desse intrigante fenômeno. A mistura de gente de toda parte criou uma diversidade na qual os uberabenses pertencem a um grupo que diminuiu em média, em renda, em participação política, em vagas de emprego, etc.

Não há nada de errado nisso. Porém, aquele “sangue no olho” quando a questão era a saudável rivalidade entre o USC e o Nacional já não existe mais. Os homens importantes deram lugar a figuras comuns. As empresas locais fecharam as portas. Os empregos deixaram de remunerar tão bem. Com a vinda de novas unidades de produção, boa parte das vagas são de “chão de fábrica”. Os nossos jovens não têm chance de ver os seus diplomas de qualificação serem aproveitados efetivamente. Dá uma tristeza!

Partido Uberaba tem que ter uberabense com “sangue no olho”, para nos tirar dessa desconfortante mediocridade. Os forasteiros não têm, nos seus discursos, qualquer interesse que não seja o seu próprio. A solução para essa timidez crônica que tomou conta do uberabense não é gritar contra eles, é, isto sim, acreditar que suas ações poderão mudar esse estado de coisas. Uberaba, sem partido alto, forte e de fala firme, não dá samba enredo para nota dez.

É possível contar uma nova história sobre a Uberaba de hoje por meio de apostadores que acreditam na cidade, que se impõem politicamente, que propõem estratégias de mudanças, que desfaçam a ilusão da cidade de gente “chique” e rica, e, principalmente, que volte a ter “sangue no olho” quando for falar da cidade e de suas realizações, inclusive do sucesso do USC, quando o tem!

É preciso de um tipo especial de liderança. Nada de tipos glamorosos. Apenas talentosos o suficiente para fazer vibrar a nossa sociedade. É preciso ter bandeira. É preciso ser do Partido Uberaba. Simples assim.

(*) Economista, professora de Economia e cidadã uberabense

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