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Paulita, a mulher resiliência

Publicado em 24/04/2021 às 12:49Atualizado em 18/12/2022 às 13:18
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Há pessoas que passam por esse mundo e se vão.... Outras, marcam pelos seus atos, palavras, valores e testemunhos de suas experiências. Tornam-se referências como seres humanos. Paulita Vasconcelos é uma destas mulheres que nasceu para demonstrar a força feminina, a resiliência e a garantia da formação humanista. Conhecer sua história de vida é ter os olhos abertos para o futuro, num momento histórico em que se exige maior comprometimento com a educação de qualidade para todos. Paulita nasceu em 20 de abril de 1930. Foi a primeira aluna negra da FISTA.  Suas raízes aproximam-se das similaridades entre a Igreja e as famílias de leigos que eram totalmente desprovidas economicamente; nela se identificavam e buscavam formação e assistência. Na infância, morou em Sacramento com sua mãe. Infelizmente, fica órfã ainda criança. Na adolescência, Paulita ingressa no Colégio das Irmãs Dominicanas, em Araxá, Colégio São Domingos, como bolsista, em período integral. Estudava no Colégio e morava com as Irmãs. A presença amorosa de Irmã Carmelita Maria Miranda Cardoso em seu percurso de vida foi marcante, assumindo a figura materna. Seu sonho era pertencer a vida religiosa. Entretanto, a resposta foi sempre negativa. Os motivos, segundo ela, residiam na cor de sua pele negra e ser a filha natural da cozinheira do hotel de Araxá. Posteriormente vem para Uberaba, como interna, e ingressa na FIFA, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, em 1949, a primeira turma da Faculdade. Ao término do Curso Superior, Paulita vai para São Paulo onde inicia sua carreira docente. Assumiu a direção escolar, supervisão e diferentes cargos de liderança na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Foi aluna da USP e professora universitária na conceituada Mackenzie /SP. Em sua trajetória profissional primava por uma postura ética, diálogo compartilhado, gestão participativa, respeito às diferenças; superando conflitos escolares e administrativos, principalmente no período da ditadura militar. Casou-se com o radialista Olavo Marques, de Rio Claro, com quem teve um casal de filhos. Olavo, com uma voz privilegiada e técnica impecável, apresentou programas nas rádios Globo, Record, Tupi, Jovem Pan e Gazeta onde criou o primeiro programa nacional com interação com os ouvintes. Com décadas de trabalho contribuiu para a formação de nomes consagrados da mídia como o jornalista Carlos Nascimento e o apresentador Faustão. Paulita e Olavo retornaram a Uberaba há alguns anos, onde foram acolhidos pelos amigos. Infelizmente, no dia 04 de março, do corrente ano, Olavo perdeu a luta contra o Covid-19, aos 85 anos, deixando um legado no rádio brasileiro. Paulita permanece firme, resiliente, lúcida, corajosa, com uma leveza e ternura no olhar ao celebrar seus 91 anos de vida. Olavo e Paulita são referências que venceram pela austeridade, pela busca do conhecimento, saberes e práticas em sintonia com suas raízes, com amor e respeito ao ser humano. Parabéns, Paulita! Uberaba te acolhe com gratidão e orgulho!

Maria de Lourdes Leal dos Santos, pesquisadora e ex-aluna da FISTA

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