ARTICULISTAS

Paz e concórdia

Não é tão fácil ter paz verdadeira num mundo

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 30/11/2013 às 20:19Atualizado em 19/12/2022 às 10:01
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Não é tão fácil ter paz verdadeira num mundo e numa cultura de tanta riqueza de diversidade. A desarmonia, em muitas situações, fala muito mais alto. Há muita discórdia, inconformismos, que até provoca situações de violência e vandalismo alhures. O grande símbolo de tudo isto está na total banalização das armas.

Em diversos momentos de sua história as pessoas são tomadas de surpresas. Isto acontece nos incidentes da própria natureza, numa doença, num descuido no trânsito, nas construções visando progresso etc. Em muitos deles existe determinado grau de irresponsabilidade, tirando a paz, levando a grandes desconfortos.

Muitos eventos são apresentados de forma sensacionalista, primando por novidade, por progresso e desenvolvimento. É o caso dos desatinos e correrias na preparação para a copa e as olimpíadas. Será que todo investimento nas construções possibilitará uma realidade de paz, de concórdia e vida saudável para a população, principalmente para os mais pobres e sofridos de nosso país?

Temos que vislumbrar vida nova, de paz, de concórdia, de saúde e qualidade. Mas sofremos as consequências negativas da caminhada tecnológica, tirando a paz e a qualidade de vida da população. As irradiações químicas e os efeitos dos venenos jogados na natureza têm sido contravalores na defesa da vida em todas as suas dimensões.

Estamos muito assustados com o alto índice e o crescimento de certas doenças na vida da população. Assistimos e “elogiamos” um progresso que mata. Não há tanta preocupação com a prevenção e com as consequências negativas e desastrosas dos grandes negócios. Uma fábrica de amônia, por exemplo, que supõe investimentos milionários, não pode colocar toda uma população em risco?

Não podemos ser contra o progresso. Ele é sempre bem-vindo e saudável. Isto faz parte das riquezas da história humana, das possibilidades de uma vida melhor para todos, mas tem que ser de forma sustentável, tendo como primeiro e sublime objetivo a qualidade de vida das pessoas, condição essencial para verdadeira paz. Os critérios de responsabilidade devem estar acima de qualquer interesse de âmbito econômico.

(*) Arcebispo de Uberaba

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