ARTICULISTAS

Poder pelo “poder”

A trajetória política, realizada por uma sociedade

Dom Paulo Mendes Peixoto
Publicado em 23/08/2014 às 19:53Atualizado em 19/12/2022 às 06:19
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A trajetória política, realizada por uma sociedade, tem marcas relevantes no cenário da vida comunitária. O termo “poder” é alvo perseguido, de forma digna ou desleal, durante a Campanha em preparação para as Eleições. Até digo, que num regime democrático capitalista, como no caso do Brasil, quase sempre tem poder quem gasta mais e consegue “comprar” a liberdade do eleitor.

No entendimento da mensagem cristã, poder significa serviço, doação, administração com responsabilidade e colocar-se à disposição para construir o bem comum. Esta é a missão do papa, dos bispos, dos padres e de todos aqueles que se colocam na prática da solidariedade. Não deveria ser diferente na gestão dos cargos públicos civis. Temos que eleger pessoas com este perfil.

O poder-serviço é o oposto do poder pelo “poder”. Esta segunda categoria está muito presente na administração pública, dificultando o uso correto das riquezas que uma nação tem. Por isso, o momento das Campanhas Eleitorais é muito importante. Até lamentamos o acidente e morte de um dos candidatos, porque seria mais uma opção de escolha para Presidente da República.

Um candidato eleito deve ser porta-voz do povo. Na Igreja, o escolhido é entendido como porta-voz da fé e da entidade por ele representada. Passa a ter as chaves das portas que permitem o acesso aos bens que favorecem sua dignidade. É uma tarefa ratificada por Deus, porque todo poder vem Dele.

A liderança comunitária não pode ser expressão de ambição pessoal. O voto, como vontade popular da maioria exigida, descredencia o eleito do poder de agir em função de favoritismos particulares, desconectados com a maioria. Ele deve ser visto, dentro do âmbito de seu poder, como “servo da unidade”, e não alguém que age com autoritarismo.

O exercício do poder exige sabedoria humana e divina. Por isto, a Palavra de Deus também deve ser referência para uma boa e honesta administração. As principais decisões, quando a comunidade é ouvida, o peso delas faz produzir efeitos muito mais férteis, favorecendo a maioria. Passam a ser ações abençoadas por Deus.

(*) Arcebispo de Uberaba

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