Não é segredo que a pandemia do novo coronavírus mudou a rotina nas 194 unidades prisionais de Minas Gerais. Com a suspensão das visitas, houve a intensificação das audiências feitas por videoconferências e autorização para que os detentos possam receber ligações de parentes e também kits via Correios. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) aponta que esse tem sido o cotidiano dos cerca 60 mil presos em Minas.
As visitas e a entrega de kits suplementares presencialmente, como alimentos, remédios, produtos de higienes entre outros itens, estão suspensas. Com isso, o envio via Sedex está autorizado. Até o último final de semana, a Sejusp registrou 64 ocorrências relacionadas à entrada de material ilícito nas unidades via Correios. Os policiais penais encontraram drogas em sabonetes e até em cabos de barbeador.
A nova realidade pode ser conferida também na penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira. Na semana passada, um sedex foi enviado para detento com celular dentro de uma escova de lavar roupa.
No último dia 12, três rodos foram enviados pelos correios a alguns detentos, e ao serem passados por exame na máquina de raios X, pelos policiais penais, foi detectado que o cabo dos objetos estava recheado com drogas.
Nos mês de abril, as correspondências endereçadas a penitenciárias foram interceptadas com cigarros com maconha, em que o remetente substituiu o fumo pela droga ilícita em invólucro de cigarro e com um celular L8Star apreendido dentro de um saco de farinha.
“A atuação dos policiais penais tem sido fundamental para coibir as tentativas de entrada de ilícitos nas unidades prisionais. Nesse período de pandemia, com o recebimento dos kits apenas por Sedex, a atenção foi redobrada. Em cerca de 90 dias, 64 ocorrências do tipo foram registradas, com o impedimento de entradas de drogas dentro de sabonetes, em cabos de barbeador, entre outros”, diz em nota a Sejusp a Rádio Itatiaia.
Sem visitas, os familiares têm três formas de manter contato com parentes: por meio de cartas, ligações telefônicas e videoconferências nas unidades em que essa tecnologia já está disponível. Por semana, conforme a Sejusp, são 15 mil ligações (cujo número é diferente em cada unidade e deve ser fornecido pelo presídio ou penitenciária) e 35 mil cartas.
A Sejusp também informa que 1.400 videoconferências judiciais foram realizadas desde o começo da pandemia no estado. “Parceria com o Poder judiciário que deve se estender no período pós-pandemia por resultar em ganhos positivos para todos os atores envolvidos”, destaca a nota.