Cássio Remis foi morto em setembro de 2020, logo após fazer denúncia de obra irregular em transmissão ao vivo nas redes sociais
Ex-secretário Municipal de Obras de Patrocínio, Jorge Marra, acusado de assassinar o ex-vereador da cidade, Cássio Remis dos Santos, em setembro de 2020, irá a júri popular nesta quinta-feira (27).

Ele será julgado por homicídio qualificado, por motivo torpe e uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima. Também vai responder pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. O julgamento será realizado no Fórum da Comarca de Patrocínio, a partir das 8h.
Em novembro de 2021, o pedido de prisão domiciliar de Marra foi negado pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, o ex-secretário aguardou o julgamento na Penitenciária Deputado Expedito de Faria Tavares, em Patrocínio.
Os advogados que representam a família de Cássio, também em nota, declararam que estão "confiantes na condenação nos termos da denúncia". Em abril de 2021, o juiz da Vara Criminal de Patrocínio, Serlon Silva Santos, definiu que Marra iria a júri popular.
Jorge Marra é irmão do prefeito de Patrocínio, Deiró Marra (DEM), e matou a tiros Cássio Remis logo após ele fazer uma live onde denunciava suposta irregularidade em obras da Prefeitura.
Antes de morrer, a vítima estava na Avenida João Alves do Nascimento mostrando o processo de revitalização, quando alegou na transmissão ao vivo que funcionários da Prefeitura eram usados para fazer serviços particulares em frente a uma residência que seria o comitê de campanha do atual prefeito, Deiró Moreira Marra.
Nesse momento, Jorge Marra saiu de um veículo, tomou o aparelho da vítima e voltou ao carro. Em seguida, Remis foi atrás de Jorge Marra, que se dirigiu à Secretaria de Obras.
Na porta do local, o candidato tentou pegar o telefone de volta, mas Marra atirou e fugiu. Toda ação foi registrada pelo circuito interno de segurança.
No dia após o crime, a arma usada por Jorge Marra para matar a vítima e a caminhonete da fuga foram encontradas em Perdizes. No dia 27 de setembro de 2020, ele se entregou na delegacia de Polícia Civil.
Segundo a investigação, Jorge Marra se apresentou de forma espontânea após um acordo feito com sua defesa e "cooperou com 99% das perguntas".
Depois de depor, o acusado foi encaminhado para um presídio, uma vez que havia um mandado de prisão preventiva contra ele. Depois, foi transferido para o Presídio Sebastião Satiro, em Patos de Minas.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no dia 16 de outubro de 2020, ele foi transferido para a Penitenciária de Patrocínio I. Em dezembro, a defesa de Marra tentou soltura por meio de habeas corpus, mas o pedido foi negado.
O inquérito que investigava o caso foi concluído em outubro de 2020, e Jorge Marra foi indiciado por homicídio, porte ilegal de armas de fogo e pelo roubo do celular da vítima. Em novembro, as testemunhas do crime foram ouvidas e alguns dias depois, o acusado permaneceu em silêncio durante a segunda audiência de instrução.
A delegada de Homicídios, Ana Beatriz de Oliveira Brugnara, também indiciou o motorista e outro funcionário por favorecimento, ao facilitar a fuga do autor do crime. As denúncias foram aceitas pelo MPMG.
Em abril de 2021, foi dada a decisão do juiz da Vara Criminal de Patrocínio, Serlon Silva Santos, de que Jorge Marra iria a júri popular. Em setembro, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que a data do julgamento ainda não foi marcada, porque o recurso da defesa ainda não foi apreciado pela Justiça.
No mês seguinte, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de liberdade a Jorge Marra. Em novembro, a prisão domiciliar do acusado foi negada pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF).