COMENTÁRIO INFELIZ

Agressão em residência inclusiva de Uberaba vira caso de polícia

Caso envolveu três mulheres acolhidas, e instituição diz que episódio foi circunstancial

Débora Meira
Publicado em 23/08/2026 às 07:16
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A instituição, porém, afirma que houve agressão mútua entre as três e que a equipe interveio assim que identificou a situação (Foto/Ilustrativa)

Um conflito entre três mulheres acolhidas em uma residência inclusiva de Uberaba terminou em agressões físicas no dia 14 de agosto. O caso foi registrado pela responsável por uma das acolhidas e apresentado no programa Hélio Jr., da Rádio JM. Segundo o boletim de ocorrência, a mulher teria sido agredida por outras duas residentes enquanto estava em seu quarto. A instituição, porém, afirma que houve agressão mútua entre as três e que a equipe interveio assim que identificou a situação.    

De acordo com o registro policial, a responsável relatou que a acolhida estava deitada no quarto quando duas outras residentes teriam entrado no local e iniciado as agressões, com empurrões, tapas e socos. Ainda conforme o boletim, a cuidadora não teria conseguido chegar ao quarto a tempo de impedir o início do conflito.    

A responsável afirmou à Polícia Militar que tomou conhecimento do episódio no dia seguinte, quando foi buscar a tia para passar um período com ela. Segundo o relato, ao chegar à residência, percebeu que a mulher apresentava lesões no rosto e ficou preocupada com a situação. O boletim registra ainda que a responsável informou já ter encaminhado uma denúncia ao Ministério Público.    

Procurada pelo Jornal da Manhã, a responsável pela residência apresentou uma versão diferente da registrada inicialmente no boletim. Segundo ela, o episódio não teria sido uma agressão praticada por duas mulheres contra uma terceira, mas um conflito entre as três acolhidas.    

A instituição informou que, na manhã de 14 de agosto, uma das acolhidas teria feito um comentário relacionado a outra residente. Conforme o relatório apresentado à reportagem, uma terceira mulher teria comunicado à colega o conteúdo da fala, o que teria desencadeado o desentendimento.  

Segundo a residência, o conflito evoluiu para agressões físicas entre as três. A equipe afirma que a cuidadora de plantão identificou a ocorrência, realizou a intervenção e separou as envolvidas. “Ao identificar a ocorrência, a cuidadora de plantão realizou intervenção imediata, utilizando estratégias de manejo verbal e procedendo à separação segura das acolhidas, com o objetivo de interromper o conflito e preservar a integridade física de todas as envolvidas”, afirma.    

Ainda conforme o relatório, após a separação, foram prestados os primeiros cuidados e avaliadas as condições físicas das três mulheres. A instituição afirma que não foram identificados ferimentos que exigissem encaminhamento para atendimento médico externo. “Não foram identificados sinais ou lesões que, naquele momento, demandassem encaminhamento para atendimento médico externo, sendo realizados os cuidados locais necessários e mantido o acompanhamento pela equipe”, destaca.    

A residência informou que, após o episódio, revisou a rotina de convivência entre as acolhidas e reforçou as orientações aos profissionais responsáveis pelo atendimento.    

Também foram adotadas medidas educativas com duas das envolvidas, incluindo alterações temporárias na utilização de celulares e nas atividades de lazer com televisão. A instituição afirma que as medidas foram aplicadas de forma individualizada, considerando o grau de envolvimento de cada acolhida.    

Além disso, a equipe de Psicologia e Serviço Social teria intensificado o acompanhamento das mulheres, com escutas individuais, mediação de conflitos e intervenções voltadas à convivência coletiva. “O acompanhamento técnico foi intensificado pela equipe de Psicologia e Serviço Social, por meio de escutas individuais, mediação de conflitos e intervenções voltadas ao fortalecimento da autorregulação emocional, comunicação, manejo de frustrações e desenvolvimento de estratégias mais adequadas de convivência”, informa em nota.   

 A instituição também afirmou ter reforçado com os cuidadores os protocolos para manejo de situações de conflito e identificação preventiva de possíveis fatores desencadeadores.  

 Segundo a residência, uma das acolhidas envolvidas no episódio já estava em processo de desinstitucionalização e deixou a unidade em 19 de agosto, permanecendo vinculada ao acompanhamento da rede de proteção.  

  

Em relação à outra acolhida envolvida no conflito, a instituição informou que o Plano Individual de Atendimento (PIA) continua sendo acompanhado e atualizado pela equipe multiprofissional. Também há, segundo o relatório, acompanhamento junto ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), além de atividades terapêuticas, ocupacionais e de convivência.  

  

A residência informou ainda que um relatório técnico sobre a situação da acolhida foi encaminhado ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) em 31 de julho, dentro do planejamento de acompanhamento e futura transição para uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI), prevista para 2027.  

  Ao Jornal da Manhã, a instituição reforçou que considera o episódio de caráter circunstancial e afirmou que mantém acompanhamento individualizado das acolhidas. 

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