POLÍCIA

Após vetar contratação de "gordas e negras", dona de empresa é investigada pela Polícia Civil

Divulgação da vaga de emprego afirmava que as únicas exigências era não ser negras, gordas e ter pelo menos três meses de experiência

Publicado em 30/11/2019 às 13:16Atualizado em 18/12/2022 às 02:24
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Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Civil de Minas Gerais, nesta sexta-feira (29). O alvo foi a casa da proprietária da empresa Home Angels e os escritórios, em Belo Horizonte. A PC investiga a empresa por racismo, após divulgação de vaga de emprego que vetou inscrição para candidatas "negras e gordas".

De acordo com a Polícia Civil (PC), os mandados são para apreensão de celulares, tablets, pen drives ou qualquer outro equipamento que tenha a possibilidade de conter arquivos com mensagens de cunho discriminatório. A franquia Home Angels oferece serviços de cuidados de idosos. O caso foi divulgado no início do mês pela Associação dos Cuidadores de Idosos de Minas Gerais.

Uma das cuidadoras que recebeu a mensagem registrou a denúncia na PC. O anúncio, recebido por ela via WhatsApp, trazia a seguinte afirmaçã "Únicas exigências: não podem ser negras, gordas e precisam de pelo menos três meses de experiência".

No dia 14, a cuidadora que denunciou o caso prestou depoimento. Ainda de acordo com a PC, ela contou que foi vetada do processo de seleção por ser negra, tendo inclusive chegado a argumentar com a psicóloga que intermediava a negociação sobre o fato de ter vasta experiência para ocupar a vaga. "No entanto, de acordo com a cuidadora, a psicóloga reforçou a exigência da empresa contratante e ainda ofereceu acompanhamento psicológico para ela", informou a corporação, na época.

O caso segue em investigação e os envolvidos deverão ser intimados a prestar esclarecimentos sobre os fatos. Se confirmada a denúncia, os investigados podem responder pelo crime de racismo, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão. O crime de racismo é imprescritível e inafiançável.

Nota da empresa

Procurada na ocasião, a agência Home Angels, por meio de nota, negou a existência do requisito repassado na mensagem e afirmou que "repudia com veemência todo e qualquer ato de injúria racial ou racismo, em todas as suas formas de manifestação". A Home Angels ainda informou não possuir vínculo jurídico com a psicóloga por quem a mensagem foi enviada e que ela não tem autorização para emitir qualquer juízo de valor em nome da agência.

Nesta sexta, a reportagem entrou em contato com a psicóloga e com a empresa novamente, e aguarda retorno.

*Com informações do Hoje em dia 

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