Nesta semana um homem de 47 anos confessou ter matado duas mulheres, de 26 e 41 anos, no Distrito Federal. Além dos assassinatos, quatro jovens quase foram atacadas, mas escaparam do autor.
O caso veio a público depois do assassinato da advogada do Ministério de Educação. O corpo dela foi encontrado na tarde desta segunda (26). Ela estava desaparecida desde a manhã de sexta-feira (23).
A Polícia Civil ainda evita classificá-lo como serial killer, porém os investigadores esperam análises psicológicas e psiquiátricas mais profundas para traçar um perfil apurado do criminoso. Especialistas, no entanto, dizem que os fatos revelados até agora reúnem elementos para acreditar que se trata, sim, de um assassino em série com traços de psicopatia.
Nos dois assassinatos e nos casos das sobreviventes, ele usava o mesmo recurso para atrair as vítimas: aproximava-se de pontos de ônibus e locais de espera e oferecia a elas carona ou se passava por motorista de transporte pirata. No caminho, revelava o verdadeiro intuito e tentava manter relações sexuais com elas.
A criminóloga e escritora Ilana Casoy, uma das principais especialistas em serial killers do país, acredita que o perfil do criminoso é mesmo o de um assassino em série. “Ele deve ser, sim, e é preciso, como a polícia está fazendo, procurar nos arquivos anteriores, porque acredito que vão encontrar outras mortes. O estágio de violência do crime é muito alto para ele estar num segundo assassinato”, analisa Ilana.
No caso das mulheres assassinadas, a hipótese é de que ele as matou após a negativa. Outras mulheres alvo dele conseguiram fugir antes da reação violenta. “Eles não começam matando, em geral. Começam pelo estupro e vão se satisfazendo com uma gratificação da violência. O estupro, nesses casos, é uma questão de satisfação pela agressão, e não pelo sexo em si. O sexo é só uma forma de agredir. O que mais atinge uma mulher? A violência sexual. Não é desejo, é raiva. O que gratifica é a humilhação”, explica llana.
O psiquiatra Raphael Boechat, da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que, para uma conclusão precisa, é necessário fazer uma análise específica do caso. Ainda assim, ele acredita que os elementos revelados sugerem que haja algum transtorno de personalidade antissocial. “Ele é o que chamávamos antes de psicopata. É um quadro muito difícil, mas é o quadro geral desses crimes mais bizarros e que não envolvem a perda do juízo. A pessoa sabe o que está fazendo exatamente. Nesse caso, pelo que se sugere, trata-se de um psicopata, que sabe o que está fazendo, que repetiu e que vai repetir isso”, analisa.
O perfil do assassino
O homem morava em uma casa simples, no Vale do Amanhecer. É casado e tem uma filha de 17 anos. A construção tem partes edificadas e outras feitas com madeirite e lona. Ele era cozinheiro. Trabalhou nos restaurantes comunitários de Sobradinho e Planaltina. Atualmente estava em período de experiência em um supermercado da Asa Norte. Ele dirigia uma Chevrolet blazer.
Os casos
1 de abril
Uma adolescente de 17 anos contou ter sido estuprada em 1º de abril. Ela afirma que, após a violência sexual, ele tentou asfixiá-la. Ela registrou ocorrência da violência sexual em julho. Na manhã desta terça-feira (27), foi à unidade policial para identificá-lo e garante que o crime foi praticado por ele.
2 de junho
O cozinheiro desempregado abordou a primeira vítima fatal, de 47 anos, em uma parada de ônibus do bairro Arapoanga, em Planaltina, e, durante o percurso, a matou, após ela reagir ao assédio sexual.
11 de agosto
Uma vítima embarcou na Blazer na Rodoviária de Planaltina, em direção ao Vale do Amanhecer. No caminho, ela saltou do carro em movimento, após o homem passar a mão na perna dela.
23 de agosto
Marinésio para no ponto de ônibus do Arapoanga, onde a advogada, aguardava por um transporte para ir trabalhar. Ela é convencida a entrar no carro e acaba assassinada depois de reagir ao assédio.
24 de agosto
Um dia depois de assassinar Letícia, Marinésio ofereceu carona para duas irmãs, uma de 18 e outra de 21 anos. No caminho, o assassino fez um trajeto diferente do combinado e passou a assediá-las. Elas conseguiram escapar depois que uma das jovens ameaçou quebrar o carro com uma barra de ferro que estava no banco de trás do veículo.
*Com informações Estado de Minas