Quando a mãe solicitou ver o filho que havia falecido, a mesma não reconheceu a criança como sendo o seu bebê
Dois bebês que morreram durante o nascimento foram trocados no necrotério do Mário Palmério Hospital Universitário, nesta sexta-feira (31), em Uberaba.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, uma jovem, de 17 anos, que terá sua idade preservada, deu a luz a um casal de gêmeos na última quinta-feira (30), naquela unidade hospitalar. Os dois bebês, do sexo masculino, nasceram prematuros, tendo a gravidez durado 24 semanas.
De acordo com informações de familiares e do próprio hospital, um dos bebês não resistiu e veio à óbito horas depois do parto. Após a comunicação da morte para a família, a equipe do hospital manteve o corpo da criança na unidade até que o mesmo pudesse ser liberado para o velório e sepultamento.
Em um outro caso, na mesma quinta-feira, deu entrada também no setor de obstetrícia do Mário Palmério Hospital Universitário, uma mulher de 36 anos. A mesma, que também terá sua identidade preservada, deu à luz a um bebê do sexo masculino, porém, infelizmente, a criança não apresentava sinais vitais, tendo seu óbito confirmado pela equipe médica.
A partir deste momento, o destino das duas famílias começou a se cruzar, resultando em registro de ocorrência policial.
Por motivo absolutamente pessoal, inclusive ligado à questão emocional, a mãe de 36 anos optou por não fazer o reconhecimento da criança que havia gerado. Sendo assim, uma funerária foi acionada na unidade hospitalar para a preparação do corpo e, após os trabalhos, a criança foi sepultada no Cemitério São João Batista.
Voltando ao outro caso, horas depois, quando a jovem, de 17 anos, solicitou ver o filho que havia falecido, a mesma não reconheceu a criança como sendo o seu bebê.
Familiares afirmaram que a mãe afirmou que aquele não era seu filho, uma vez que a criança mostrada estava muito maior, e não apresentava ser o bebê prematuro que ela teve nos braços horas antes.
Após o fato, confirmou-se mesmo que as crianças haviam sido trocadas na maternidade da unidade hospitalar. A própria assessoria de comunicação do Mário Palmério Hospital Universitário reconheceu o erro, e afirmou que o bebê da jovem havia sido sepultado, equivocadamente, pela família da mulher de 36 anos. Consequentemente, o bebê que permanecia no hospital era o mesmo que nasceu sem os sinais vitais, ou seja, filho da gestante de 36 anos.
A assessoria de comunicação do Mário Palmério Hospital Universitário enviou vídeo esclarecendo os fatos, e informou que um procedimento de investigação administrativa foi imediatamente aberto, sendo que os funcionários da maternidade foram ouvidos. Uma enfermeira da unidade teria, inclusive, reconhecido o erro. A assessoria informou ainda que a profissional foi afastada até que todos os fatos fossem apurados.
Ainda de acordo com a assessoria de comunicação do hospital, houve um não-cumprimento de protocolo por parte da funerária, que deixou de checar informações imprescindíveis antes que o corpo fosse liberado para o sepultamento.
O fato também continuará sendo apurado, e deve ser esclarecido nos próximos dias. A reportagem tentou contato com a funerária, porém a reportagem não obteve respostas.
O Mário Palmério Hospital Universitário esclareceu ainda que está oferecendo todo suporte necessário às famílias envolvidas, inclusive com relação aos procedimentos jurídicos cabíveis.
Na manhã deste sábado (1), após autorização judicial, o corpo do bebê já sepultado será exumado e entregue à família de direito. Já o outro bebê deve ser sepultado na sequência.
Irmão do bebê sepultado equivocadamente também não resiste e morre no MPHU. Por volta das 23h45, o irmão gêmeo do bebê sepultado equivocadamente na última sexta-feira, também não resistiu à prematuridade e veio à óbito no Mário Palmério Hospital Universitário. A família comunicou o fato à reportagem no início da madrugada deste sábado, e informou que tentará providenciar os sepultamentos no mesmo horário. A assessoria de comunicação do hospital informou que todas as medidas estão sendo tomadas para que o desejo da família possa ser atendido. (TM)