Um brasileiro foi condenado a 23 anos e 10 meses de prisão por tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à escravidão e organização criminosa após aliciar vítimas para um esquema de golpes virtuais em Myanmar, no sudeste asiático.
A decisão definitiva foi proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aumentou a pena após pedido do Ministério Público Federal (MPF). Segundo as investigações, ao menos 12 brasileiros foram recrutados com falsas promessas de emprego na Tailândia.
De acordo com o MPF, o condenado divulgava nas redes sociais uma suposta vida de luxo e oferecia vagas em empresas de telemarketing com salários em dólar, passagens pagas, hospedagem e alimentação. O objetivo era atrair brasileiros para o exterior.
As vítimas embarcavam para Bangkok, capital da Tailândia, mas eram levadas ilegalmente para o complexo conhecido como KK Park, localizado na fronteira entre Myanmar e Laos. O local é apontado pelas autoridades como base de organizações criminosas envolvidas em golpes cibernéticos, exploração humana e crimes financeiros.
Ainda segundo as investigações, os brasileiros eram obrigados a trabalhar mais de 14 horas por dia aplicando golpes virtuais e extorsões pela internet. As vítimas também sofriam agressões físicas, punições e restrições até mesmo para uso do banheiro.
O Ministério Público informou que o aliciador recebia cerca de 500 dólares por cada pessoa entregue à máfia chinesa responsável pelo esquema criminoso.
O caso foi a primeira denúncia apresentada pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC), criada em 2024 para combater organizações criminosas transnacionais.