Jairo Chagas
Carro que era usado pela vítima teria sido a fonte de identificação do agressor, mas o dono do veículo afirmou que ele não teria circulado nele em data anterior
Na tarde desta quinta-feira (1º), o acusado de espancar até a morte um homem de 57 anos e sua companheira, possivelmente cúmplice no crime, se apresentaram com seu advogado na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa – DHPP.
Em entrevista à Rádio JM, o delegado Ciro Moreira explicou que eles são amasiados e vivem juntos há muitos anos. “Eles se apresentaram hoje com o advogado, se colocaram à disposição de colaborar com a Justiça. Nesse primeiro momento, como a investigação ainda está no início e não há provas formalizadas nos autos eles se reservaram no direito de permanecerem em silêncio, mas se colocaram à disposição para que, assim que se fizer necessário, eles comparecem para dar declarações e apresentarem as versões deles”, disse.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de os acusados confessarem que a morte da vítima pode ter sido por engano, o delegado afirmou que isso é o que a investigação dirá. “Isso vai ser objeto da investigação. É isso que nós estamos querendo descobrir, se realmente houve a suposta mostra do órgão genital, que teria gerado as agressões e a morte da vítima. Pode ser que tenha sido uma vingança, por ter mostrado o órgão genital em data passada, pode ser que tenha havido uma discussão de trânsito ali próximo da rua onde aconteceu o fato. Parece que eles não se conheciam mesmo, então é isso que vamos investigar com testemunhas, câmeras de segurança e analisar a vida pregressa dos envolvidos. Porque se a vítima era habitual em praticar atos obscenos, em algum momento da vida dele ele deve ter feito outras vezes”, explicou.
O advogado criminalista André Faquim, que representa o casal, descarta que a morte tenha sido por engano. “Informalmente ele começou com o doutor Ciro passando alguns detalhes até para nortear as investigações. Mas aquela inicial questão de ter sido por engano foi realmente descartada aqui”, garantiu o advogado, afirmando que os acusados farão mais esclarecimentos assim que forem formalmente intimados.
Faquim explica que foi procurado tão logo quando souberam do falecimento da vítima e logo pela manhã já tentou agenda com o delegado Ciro Moreira para o comparecimento e apresentação espontânea dos acusados. “Pode-se dizer que houve uma tragédia e ele não pretende se furtar a essa responsabilidade. No entanto, ele está abalado psicologicamente, tanto ele quanto ela, inclusive estão sob efeito de medicação, estão até com dificuldade de pronúncia, de explicar com clareza o que houve. E, dessa forma, nós achamos por bem nesse primeiro momento, nessa primeira apresentação, manter o silêncio, mas nos colocamos à inteira disposição do doutor Ciro para novas intimações, as quais ele já antecipou que irão ocorrer porque as investigações estão no início, e nós nos comprometemos a apresentar provas, documentos, para melhor esclarecer a dinâmica dessa tragédia, que culminou com o falecimento de um homem de bem, pai de família, gente conhecida no bairro, infelizmente. Assim como tem uma família de lá que está despedaçada, eu posso garantir a família de cá, embora não justifique e não serve de alento para os familiares que lá perderam, está desmantelada”, disse ele.
O advogado ainda explica que o “acusado reconhece que houve um início de agressão e que houve um excesso nessa agressão. E depois de duas semanas, quinze dias, veio o evento morte. Em momento algum ele quis causar esse resultado, de maneira nenhuma”.
O delegado Ciro Moreira revelou, ainda, que o casal não respondeu às perguntas formuladas, haja vista que as provas ainda estão sendo produzidas e, para se manifestarem, eles precisam ter conhecimento delas. Ainda de acordo com Moreira, outras testemunhas serão ouvidas oportunamente, nos próximos dias.
Após serem ouvidos na DHPP, os acusados foram liberados uma vez que não há mandado de prisão contra eles. A vítima, de 57 anos, morreu na madrugada de ontem, após ter sido vítima de espancamento. O autor afirmou durante as agressões que reconheceu a vítima pelo carro, porém era a primeira vez que o agredido utilizava o veículo.