Foto/Jairo Chagas
Durante a tarde desta quinta-feira (27), no programa Supertarde da Rádio JM, Túlio Micheli entrevistou o comandante da 5ª Região Policial Militar, coronel Lupércio Peres Dalvas. Peres esteve à frente da operação de combate à série de ações criminosas ocorridas na madrugada desta quinta-feira (27) em Uberaba.
Rádio JM: Comandante, qualquer avaliação que fizermos neste momento não pode ser menor do que extremamente positiva. Acredito que posso afirmar que seja uma das maiores apreensões de armas após um ataque que podemos chamar de extremamente estratégico desses bandidos, aqui no estado mineiro. Essa confirmação já pode vir por parte do comando?
Coronel Peres: Nós aqui estamos fechando a ocorrência e continuando com as estratégias. Temos a possibilidade, um caminho, até fazer outras apreensões. Nós sabemos que esses marginais têm experiência em outros eventos dessa natureza, já são conhecidos no mundo policial, alguns já eram procurados. Logicamente ainda vamos estar batendo os nomes, pode ser que estão dando nomes falsos, então estamos atravessando questões de inteligência com a Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público juntamente com o GAECO, exatamente para traçarmos essa linha, mas, com certeza eles fazem um estudo antes de atuar, fizeram um estudo detalhado. Percebemos que a maioria é de São Paulo. Os dez de hoje são de Campinas, Jundiaí e essa região, então verificamos que essa região está encrustada com muitos marginais que atuam no campo de explosão a bancos.
Rádio JM: Esses elementos que foram presos podem fazer parte de famoso grupo de contenção, que é aquele que fica para trás para que outros que estão com dinheiro acabem fugindo?
Coronel Peres: Na verdade, esses também estavam em fuga, logicamente que o grupo era maior, mas a fuga foi feita de forma simultânea, saíram em comboio. Na realidade, eles se dividiram num período. O objetivo era a fuga e não o confronto. A polícia militar estava posicionada em lugares estratégicos e eles não tiveram como sair, ficaram encantoados. Um dos que foram presos aqui, inclusive, é uma grande liderança de organização criminosa, não acredito que ficariam só na contenção para serem capturados ou correr mais risco que os demais.
Rádio JM: Podemos afirmar que todos fazem parte daquela facção criminosa de São Paulo?
Coronel Peres: Na verdade, estamos levantando isso, mas temos informações que sim, que alguns integram uma organização criminosa de São Paulo, mas só as investigações que vão chegar a uma conclusão, então se eu falar de forma assertiva que são todos eles eu não poderia falar com tanta segurança, há necessidade de investigação e verificar os nomes que estão sendo dados, aí sim temos a capacidade de dar uma resposta mais contundente.
Rádio JM: Operação no Residencial 2000 tem ligação com os acontecimentos de hoje?
Coronel Peres: Não, na verdade foram presos três indivíduos lá. Eles fizeram furto a residência e estávamos com circo montado, fizemos a perseguição, eles capotaram o veículo, entraram no meio do mato, mas não existe ligação. Foram pegos três.
Rádio JM: Já existe informação sobre o dinheiro?
Coronel Peres: Esse processo ele é lento. Como havia muitos explosivos, tanto na porta do Banco do Brasil quanto na rua no entrono, tinha explosivo até no Itaú da Leopoldino mesmo ele não sendo alvo. Isso leva tempo para que o exclusivista libere o ambiente para conferência. Só depois de liberado ainda há a perícia que vai pegar saliva, fios de cabelo, suor. Precisa de ter um trabalho técnico e esse trabalho é com calma para que possamos ter acesso ao cofre. Na verdade, nem é a gente que vai ter acesso, quem vai ter que falar isso para nós é o Banco do Brasil, que sabe o numerário, o que tinha lá, o que foi levado, quanto foi levado, se foi levado.
Rádio JM: Sem os reféns, o confronto poderia ter sido mais agressivos. Nesse caso, os reféns ajudaram?
Coronel Peres: Para a Polícia Militar o refém não favorece em situação alguma. Primeiro porque é um risco maior para integridade física de uma pessoa que não tem nada a ver com a situação. O policial militar está ali preparado, ele é técnico, sabe se posicionar. O refém está na linha de tiro, sem falar que o marginal atira, o PM não pode atirar e verifica o risco que vai ter para o refém; já o marginal atira inconsequentemente. Então, acho que é um ingrediente que que complica o cenário quando se atua com o refém. Se eles estivessem sem refém, o risco seria menor para os policiais, porque quando nós abordamos o caminhão, nós estávamos na linha de frente, foi a minha viatura que fez a abordagem. Nós efetuamos disparo, quando descobrimos que tinham reféns junto com esses marginais no caminhão, isso traz para nós um fator extremamente complicado porque você tem que cessar o tiro e eles não vão cessar. O viés é mais complexo com reféns na minha visão.
Rádio JM: Esses dez indivíduos serão presos em Uberaba ou existe a possibilidade de transferência para um presidio de segurança máxima ou um presidio com condição de recepcioná-los de uma maneira pouco melhor do que aqui na cidade?
Coronel Peres: Isso não é competência da Polícia Militar especificamente e sim do sistema prisional e da própria Polícia Civil no sentido de orientação, mas a orientação que nós passaremos para o centro prisional, tendo em vista que trabalhamos em conjunto, é que aqui em Uberaba o trabalho do sistema de defesa social é muito em conjunto, para deixar bem registrado. O meu conselho é que eles não permaneçam, tendo em vista o alto nível de periculosidade, que eles vão para um estabelecimento com maior segurança e mais distante, porque aqui nós estamos muito próximos de são Paulo, então mais distante de qualquer possibilidade de intervenção. Esse vai ser o parecer meu como comandante regional, mas o sistema prisional tem uma visão logística muito melhor do que a minha, para poder saber onde eles têm que segurança para poder executar essa possibilidade.
Rádio JM: Houve um vídeo em que um dos trechos um dos bandidos ele fala que para dar um recado para um dos amigos dele, um deputado, ou seja, será que nós temos peixes tão grandes assim envolvidos em facções criminosas como essas?
Coronel Peres: Olha eu sinceramente não sei, ele não fala nome, eu estava lá no momento, eu ouvi ele falando esta fala, pode ser um blefe dele para poder se mostrar importante, mas isso aí nós não temos como apurar a não ser que ele faça alguma declaração quando ele for ouvido pela Polícia Civil. Ali naquele momento, no calor do acontecimento, primeira negociação foi comigo, liberamos o motorista do caminhão e liberamos um adolescente, depois chegou a equipe especializada da Polícia Civil, que é o BOPE, e nós ficamos na retaguarda para um negociador dar continuidade à atividade. Ele usa realmente essa terminologia na fala, fica nítido isso na fala dele que foi gravada, mas a gente não tem como outorgar ou falar se é verdade ou se não é. Eu não poderia tecer esse tipo de comentário porque eu não tenho conhecimento do que ele quis dizer com isso.