A afirmação é do DHPP Cyro Moreira. O suspeito e a mãe da criança ainda não foram encontrados
Foto/reprodução
Um caso que já apresentava fatos chocantes piorou nas últimas horas após investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de Uberaba.
Na última segunda-feira noticiamos que a PC investigava a morte de uma criança de apenas 3 anos de idade, ocorrida no bairro Cidade Nova, em Uberaba.
No dia dos fatos, as informações davam conta de que um menino estava sob cuidados do padrasto enquanto a mãe trabalhava. O homem, de 33 anos, contou à polícia que enquanto cuidava da criança, percebeu que o menor havia feito suas necessidades fisiológicas na fralda, sujando inclusive a cama do casal.
O padrasto contou ainda que levou o menino para o banheiro e que o deixou tomando banho enquanto colocava as roupas de cama para lavar.
Quando o padrasto retornou ao banheiro, viu que a criança estava caída no chão, inconsciente. Ele ainda afirmou que imediatamente acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – Samu, mas por conta de a residência ser um pouco afastada, optou por encaminhar o menino para a Unidade de Pronto Atendimento do Mirante por meios próprios. Infelizmente o menor já chegou na unidade de saúde sem vida e teve seu corpo encaminhado para o Instituto Médico Legal.
Necropsia revelou suspeitas. Já no IML, médicos legistas providenciaram a imediata necropsia no corpo da criança, e durante os trabalhos de praxe, novas suspeitas foram reveladas. O menino apresentava ferimento recente na cabeça, inclusive com sangramento ativo. No dia do depoimento, o padrasto teria afirmado que o menor sofreu o ferimento há dias atrás, na cidade de Uberlândia, não oferecendo mais detalhes.
Buscando evidências. Diante das suspeitas levantadas após a necropsia no corpo do menino, investigadores da DHPP iniciaram as apurações na tentativa de confirmar ou não um possível crime. Uma visita então foi realizada na residência do casal, e para surpresa dos policiais, a casa estava vazia. Sem móveis ou roupas, a casa parecia ter sido deixada recentemente, e informações davam conta de que o casal teria se mudado.
As suspeitas então de que o menino poderia ter sido assassinado aumentaram ainda mais após o fato, e por isso os investigadores decidiram realizar perícia técnica detalhada no imóvel.
Homicídio confirmado. A reportagem acompanhou todos os trabalhos da perícia técnica durante dois dias. Utilizando um composto químico chamado Luminol, bastante aplicado em trabalhos periciais, uma vez que, em contato com o local onde tem ou teve sangue, o produto emite uma cor azul fluorescente, foi possível confirmar as suspeitas dos investigadores. Havia ali, naquele momento, evidências de que realmente a criança poderia ter sido assassinada.
Ao aplicar o Luminol em várias partes do imóvel, foram encontradas vestígios de sangue no chão dos quartos, no banheiro, em paredes, portas e também em algumas roupas da criança que estavam dentro de sacos de lixo, no quintal da residência.
Até mesmo a marca de uma mão foi localizada no interior da casa, o que levou os policiais a entenderam que o local foi lavado após o crime, na tentativa clara de que estariam tentando ocultar as provas. Tudo foi devidamente registrado com a presença de investigadores, peritos, imprensa e também do delegado da DHPP Cyro Moreira. Evidências são explicadas pelo delegado
Ao final dos trabalhos, a reportagem conversou com o delegado Cyro Moreira, que afirmou não ter mais dúvidas quando à autoria do crime e de que a crianca foi, na verdade, assassinada pelo padrasto. Ele reforça, inclusive, que o suposto objeto utilizado para ferir a criança também foi encontrado.
“Para a Polícia Civil agora não há mais dúvidas. A criança foi morta pelo padrasto. O reagente Luminol foi aplicado pela perícia técnica e identificamos sangue nos quartos, no banheiro, em paredes e em algumas roupinhas que estavam dentro de um saco de lixo, no quintal da residência. Encontramos também o que seria o objeto utilizado no crime, um suporte de roupas, tipo um cabide de parede, que possivelmente foi utilizado para golpear a cabeça da criança, que morreu em decorrência de um traumatismo craniano”, explicou o delegado.
Cyro também afirmou que o paradeiro do casal não é conhecido pelos agentes da Polícia Civil. “O casal se mudou do imóvel poucos dias depois da morte do menino, muito possivelmente acreditando que nós estávamos chegando até eles e que iríamos descobrir a verdade”, enfatizou.
O delegado explicou também como os investigadores chegaram até a confirmação de mais este homicídio registrado na cidade. “Os achados da necropsia apontaram que o ferimento da criança era recente. O machucado estava volumoso e com sangue ativo, então não poderia ter acontecido dias atrás”, disse Cyro.
Sobre uma possível participação ou conivência da mãe do menino no crime, o delegado descartou a possibilidade, uma vez que as investigações não apontaram fatos que comprovem tal possibilidade.
“O principal suspeito é o padrasto da criança. Sobre a mãe nós vamos continuar as investigações, mas no dia e no momento dos fatos, a mãe não estava em casa. Ela apresentou este álibi e nós confirmamos que ela realmente não estava na residência. Ainda não temos conhecimento do paradeiro deste casal, mas as investigações vão continuar até que o inquérito esteja concluído”, finalizou o delegado.
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