O atrito verbal envolvendo o médico e diretor clínico das UPAs do Mirante e São Benedito e um médico do Samu chamou a atenção de populares que estavam na UPA São Benedito, na rua Major Eustáquio, na noite de terça-feira (30). O caso só veio à tona na quinta-feira (31), após o diretor clínico das UPAs registrar o fato na Polícia Civil.
Segundo o registro policial, ao qual o Jornal da Manhã teve acesso, uma paciente, vítima de uma facada na região torácica esquerda posterior, deu entrada na UPA São Benedito.
De acordo com o documento, depois dos procedimentos de praxe, o médico e diretor clínico das UPAs solicitou a transferência da paciente para o Hospital das Clínicas da UFTM e, após a autorização, uma ambulância do Samu foi acionada para o transporte da paciente.
A unidade do Samu chegou e o médico responsável, ainda de acordo com o registro policial, não examinou a paciente, mas retirou o curativo que continha o sangramento ativo e já afirmou, de forma categórica, que aquele ferimento precisava apenas de uma sutura e que rasgaria o diploma dele se aquela paciente precisasse de um atendimento mais sério do que uma sutura.
O diretor clínico das UPAs relata no registro policial que explicou que, em casos que envolvam arma branca e arma de fogo, as UPAs possuem protocolo de encaminhamento ao Hospital de Clínicas, mas o médico do Samu disse que era insegurança dele (do médico e diretor clínico das UPAs).
De acordo com o documento, o médico do Samu ainda teria começado a insuflar a paciente, que estava drogada, para se negar a aceitar o transporte, pois era apenas caso de sutura.
O diretor das UPAs afirma que se instalou um completo caos na unidade de saúde, sendo necessário o uso da força física para manter a paciente na maca, pois ela tentou deixar o local por duas ou três vezes, proferindo palavras de baixo calão a toda a equipe médica.
Ele também explica que tudo que aconteceu poderia ter acarretado a piora do estado da paciente.
A paciente só foi transferida pelo médico do Samu por volta das 20h20. E, pelo visto, a paciente precisava de mais do que uma simples sutura, pois ela ainda está internada no Hospital de Clínicas.