
Vítima realizou exame de corpo de delito (Foto/Reprodução/Arquivo pessoal)
“Pensei que iria morrer. O que vivi foi horrível e assustador”. O desabafo é de uma dentista de 27 anos agredida pelo marido no bairro Castelo, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. O suspeito foi contido por vizinhos da vítima e preso em flagrante no último domingo (18). A tentativa de feminicídio ocorreu após o homem, que é engenheiro, ter se irritado com a companheira preparando um omelete para a filha dela.
O TEMPO entrevistou a vítima que contou sobre a violência sofrida. A dentista relatou estar casada há dois meses com o companheiro e que está grávida. Segundo ela, foi a segunda violência sofrida, e o suspeito sempre fica “alterado” após fazer uso de bebida alcoólica, algo que aconteceu no último fim de semana.
“Fomos comemorar o aniversário de uma amiga em um bar e ele bebeu o dia todo. Minha filha estava conosco e assim que chegamos em casa ela pediu para que eu preparasse um leite ou omelete para ela, pois estava com fome. Quando fui preparar, ele disse que não poderia, pois ela tinha comido docinho e que isso enche barriga”, contou.
A criança começou a chorar de fome, conforme dito pela mulher, e ela foi para a cozinha. Depois disso, o homem começou a agredi-la. “Ele começou a socar todos os móveis da casa. Minha filha ficou desesperada se escondendo no quarto. Quando saímos de lá, ele passou a me dar socos, dizendo que ia matar eu, a minha filha e depois suicidar”.
O suspeito quebrou o telefone da vítima para impedir que ela pedisse socorro. “Depois que ele falou muito e me bateu, fomos para a sala para tentarmos conversar, porém ele me bateu ainda mais. A todo instante dizia que ia me matar. Quando ele foi pegar uma faca, gritei pedindo socorro, a vizinha ouviu e veio ajudar”, relembra. A vítima conta que desmaiou três vezes e que os familiares da vizinha contiveram o homem para impedir a fuga.
'Estou péssima'
A vida da dentista mudou completamente e ela conta que sequer consegue dormir. “Estou péssima. As dores físicas e psicológicas doem bastante. As lembranças não saem da minha cabeça. Ele é o pai da filha que espero e um dia vai sair da cadeia. Não posso tomar antidepressivo e nem outros medicamentos para aliviar as dores”.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou inquérito e que as investigações seguem em andamento, “de modo que o procedimento investigatório está em fase de conclusão''. “A PCMG informa que todas as medidas legais cabíveis foram adotadas até então, como exame de corpo de delito e requerimento de medidas protetivas”, afirmou em nota.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) esclareceu que o suspeito está preso no Centro de Remanejamento Provisório (Ceresp) Gameleira desde o domingo.
Fonte: OTEMPO