A prisão dela foi pedida pela Polícia Civil, mas o Ministério Público teve entendimento diverso; até o momento ninguém foi preso nas duas fases da Operação Cisvalegran
2ª fase da operação teve como alvos dois médicos e um advogado em Uberaba (Foto/Divulgação)
Após a deflagração da 2ª fase da Operação Cisvalegran, em que mais dois médicos de Uberaba foram alvos de mandados judiciais, a Polícia Civil tem mais material a ser analisado para investigar as fraudes em licitações do Consórcio e os desvios de verbas da Saúde. Em entrevista à Rádio JM, nesta quinta-feira (8), o delegado Eduardo Alves Garcia não descartou novas fases da operação e revelou que uma mulher chefiava o esquema criminoso.
"Ela é o cerne da questão na rede criminosa. É uma pessoa que tem experiência em consultorias na área de Saúde, atua nesse ramo há muitos anos. Tem vasta experiência em contratos licitatórios, processos administrativos. É uma pessoa influente junto aos municípios que integram o consórcio Cisvalegran. Ela se adiantava, se prevalecendo dessa influência, conseguia informações privilegiadas e usava terceiras pessoas para vencerem. Direcionava os processos licitatórios para que pessoas vencessem e depois fazia uma subcontratação para outras pessoas", explica o delegado Eduardo Alves Garcia, pontuando a função da mulher no esquema criminoso, segundo as investigações da Polícia Civil. A pessoa em questão atuava no Mario Palmério Hospital Universitário e atualmente exerce cargo na UFTM, após aprovação em concurso público, segundo o delegado.
As apreensões realizadas nesta quarta-feira (7), na casa de dois suspeitos uberabenses, reuniram dispositivos móveis, assinaturas, recebimentos e ordens de pagamento, documentos relevantes para a análise das licitações fraudulentas. Com o novo conjunto de dados, o delegado não descarta a possibilidade de encontrar mais pessoas envolvidas no esquema de desvio de recursos.
"O Ministério Público tem sido parceiro nas investigações, assim como o poder Judiciário. Vamos analisar os objetos apreendidos e vamos verificar quais são os elementos que tudo isso vai nos trazer. E se tivermos constatações para outros atores e para representá-los liminarmente, vamos representar. Seja prisão ou apreensão de bens. Se tivermos elementos, vamos representar”, garantiu Eduardo.
O titular da unidade de combate à corrupção e lavagem de dinheiro do 5º Departamento da Polícia Civil afirmou que já está claro quem comandava as ações do grup uma mulher, divulgada pela PC com iniciais M.O.C. É apenas o fio da meada, e a Operação Cisvalegran deve exigir novas fases. “Possivelmente existirá uma nova fase. Não descartamos que outras pessoas possam estar envolvidas nessas fraudes às licitações, (envolvidas) em frustrar o caráter competitivo das licitações. Pode existir até outras licitações que nós não temos conhecimento ainda. Vamos ver o que a documentação vai nos trazer. Mas essa investigada é o cerne da questão. Tudo começou com ela. Tudo passava por ela. Ela chegava ao ponto de auxiliar e montar o contrato junto ao Cisvalegran”, revelou.
Conforme explicações da própria Polícia Civil, o Ministério Público opinou que, agora, bastaria aplicar a ela medidas restritivas, e não a prisão. Um dos bloqueios seria não participar de qualquer negócio com o poder público, o que foi feito.
São quatro pessoas investigadas pela corporação até o momento, sendo dois médicos de Uberaba e dois do estado de São Paulo, proprietários de uma clínica oftalmológica particular paulista.
De Uberaba, Eduardo Alves Garcia não negou que os envolvidos são familiares, como sugerem os comentários relacionados à operação. “Eu prefiro manter a informação sob sigilo, em decorrência das investigações. Mas são dois médicos conhecidos na cidade, conceituados. Vivem em condomínios de alto padrão. É uma coisa que não estava acontecendo. Não eram vistas viaturas em condomínios desse porte. E agora são”, finalizou.
Segundo o delegado chefe Felipe Colombari, o grande problema foi causado pela falta de fiscalização. Os municípios repassavam os valores ao Consórcio e pecavam ao garantir que a verba fosse destinada ao objeto final. Desta forma, era favorecido o aparecimento de brechas de operação, aproveitadas pelo esquema criminoso. Até o momento, a informação é de que a ação desviou pelo menos R$6 milhões do SUS.