Suspeita criou no WhatsApp o grupo 'Filhas do Bumbum' em Contagem para divulgar trabalho que chegava a custar R$4 mil
Foto/Cristiane Mattos/O TEMPO
Uma esteticista de 41 anos, conhecida como "Mãe do bumbum" foi presa em Contagem por aplicar silicone industrial em nádegas de mulheres. A Polícia Civil apresentou, nesta sexta-feira (20), detalhes da investigação. Além dela, a dona do estabelecimento, de 34 anos onde procedimentos eram realizados também acabou presa
Além de aplicar o silicone industrial, a investigada ainda "colava" a pele das clientes com uma supercola. A esteticista, que é do Rio de Janeiro, iniciou os trabalhos em Minas Gerais no fim de fevereiro deste ano e cobrava cerca de R$ 4.000 por cada procedimento. Ao menos 60 mulheres foram atendidas no Estado.
Para mostrar os resultados dos procedimentos, a esteticista montou um grupo no WhatsApp que recebeu o nome de "Filhas do Bumbum", onde postava as fotos das nádegas após a aplicação dos produtos.
As mulheres foram presas em flagrante no estabelecimento comercial. No momento da prisão, quatro clientes aguardavam para a aplicação dos produtos. Outras duas estavam agendadas para outro dia. As prisões foram convertidas em preventivas. Uma farmácia de Contagem é investigada por suspeita de passar os remédios sem receita médica.
"Várias vítimas procuraram a delegacia narrando que sofreram alguma lesão após aplicação de um produto, em tese, denominado hidrogel. A partir daí, a investigação se iniciou e as prisões aconteceram no dia 6 de dezembro” explicou o chefe do Departamento de Polícia Civil em Contagem, o delegado Rodrigo Bustamante. “O silicone industrial serve para vedar vidros, para utilizar na limpeza de peças de avião e de navio. Nunca é recomendado para uso estético porque pode causar a embolia pulmonar e a morte".
As investigações começaram em novembro, depois que vítimas com lesões procuraram a delegacia. Ainda segundo o delegado, o hidrogel, importado da Ucrânia, está proibido desde 2014 no Brasil para a finalidade estética. Além disso, muitos dos produtos apreendidos no salão, como anestésicos, não poderiam ser aplicados pela esteticista por falta de formação profissional.
"Essa aplicação de anestésicos podem ser aplicados apenas por profissionais da saúde. E, posteriormente, para evitar uma possível inflamação ou rejeição do produto no corpo, ela introduzia antibióticos nessas vítimas", detalhou o delegado.
Como era o procedimento
A aplicação do produto acontecia em uma casa, usada como salão. A dona do comércio morava no imóvel, que tinha como principal atividade o bronzeamento artificial. Um quarto era dela, o outro para a esteticista dormir quando vinha realizar os serviços e um terceiro onde as clientes eram atendidas. Nesse cômodo tinha uma maca, um ar condicionado e uma mesa que servia de apoio para colocar os produtos. O local não tinha autorização para fazer esses procedimentos, segundo a polícia.
"As vítimas ficavam deitadas em uma maca de bruços, era feito uma espécie de torniquete nas coxas, ela aplicava a anestesia e iniciava a introdução das substâncias nos glúteos. Como se tratava de silicone industrial, era uma agulha grossa, que fazia um buraco um pouco maior na superfície da pele. Após o final do procedimento, ela utilizava uma cola instantânea para tampar o buraco. O processo de infecção tem início a partir da rejeição dessa substância, e aí acabam surgindo buracos nas nádegas em uma tentativa do corpo expelir a substância. O local era totalmente inadequado. Se ocorresse alguma intercorrência, não haveria como fazer o socorro imediato das vítimas", explicou o delegado regional de Contagem, Luciano Guimarães.
Ainda conforme a Polícia Civil, o número de vítimas pode chegar a 100, entre mulheres atendidas em Minas Gerais, em outros Estado e fora do Brasil. Na delegacia de Contagem, 20 mulheres já foram ouvidas, sendo que a metade teve algum tipo de lesão causada pelo silicone industrial.
*Com informações O tempo