De acordo com o registro policial, o crime foi registrado em um shopping da cidade
Fotos/Jairo Chagas
O ex-chefe de cartório eleitoral Levi Cançado Lacerda, de 52 anos – condenado em 2009 por atentado violento ao pudor e corrupção de menores –, voltou a ser preso e, desta vez, sob suspeita de estupro de vulnerável, ou seja, contra um menino de 12 anos. O acusado respondia em liberdade devido a liminar expedida em junho deste ano.
Segundo informações, o menor mora em Uberaba há cerca de um ano e veio de pequena cidade do Estado de Alagoas. Segundo a PM, a vítima revelou a conselheira tutelar que ela e o ex-chefe de cartório vinham mantendo relações sexuais há cerca de um mês.
Após audiência de custódia no Fórum Melo Viana, o juiz entendeu que Levi deve permanecer preso na penitenciária “Professor Aluízio Ignácio de Oliveira” até o seu julgamento. O advogado de defesa do acusado, Antônio Alberto da Silva, disse acreditar que os antecedentes do seu cliente pesaram na decisão do juiz, mas que hoje iria apresentar pedido de habeas corpus, já que não há provas materiais que comprovem o estupro de vulnerável.
Além disso, o advogado falou que pretende entrar com um pedido à Justiça para avaliar a sanidade mental de Levi. Ainda conforme fala do advogado, foi comprovado, por meio das notas fiscais, que Levi havia comprado materiais para ele mesmo, sem intenção de dar de presente para o menino. Agente penitenciário acionou a polícia ao ver acusado com a criança em shopping
Segundo registro da PM, na noite de domingo (23), por volta de 22h, em shopping de Uberaba, agente penitenciário informou a policial civil que tinha avistado Levi na companhia do menino. Em determinado momento, o policial visualizou Levi e o menor entrando num dos banheiros do shopping. Ele, então, foi atrás e, quando entrou no banheiro, flagrou Levi e o menor posicionado à sua frente, sendo que havia pedido ao menino que o ajudasse a desamarrar o cordão de sua bermuda.
Ainda conforme o registro policial, assim que Levi percebeu que o policial tinha entrado no banheiro, virou-se rapidamente e não continuou com a situação, demonstrando nervosismo. Em seguida, imediatamente Levi chamou o menor e pediu que ele andasse rápido, pois "estavam perdendo o filme".
O policial civil continuou observando o suspeito e constatou que ele entrou na sessão do filme "Predador", o qual possui censura de 16 anos. Foi constatado ainda pela PM que, para entrar com o menor na sessão, Levi declarou que a criança era seu sobrinho.
Ao final do filme, a PM abordou os dois envolvidos, sendo que o menor alegou que conhecia Levi há aproximadamente um mês e que ele se aproximou do menor enquanto soltava pipas em rua perto da sua casa, situada no bairro Jardim América. O menor relatou também que Levi o presenteou com pipas e desde então ficou o chamando para irem ao cinema assistir a um filme. Disse ainda que neste domingo Levi o buscou próximo da sua casa, por volta de 18h, sem o consentimento de sua mãe.
Ao chegaram ao shopping, ainda conforme a PM, Levi mais uma vez presenteou o menor com roupas, tênis, cuecas, meias e um aparelho celular. Quando a PM questionou Levi sobre a situação, ele aparentava nervosismo e alegou evasivamente que encontrou o menor na rua e que o mesmo é quem teria pedido para ir ao cinema. Levi disse também aos militares que a mãe do menor tinha conhecimento que eles tinham ido ao cinema. Mas, segundo relato da mãe do menor à PM, ela não tinha conhecimento do paradeiro do filho.
Questionado sobre as roupas e o celular que estavam com o menor, Levi negou aos militares que tais objetos fossem presentes, porém, manteve-se evasivo em relação ao fato de ter entre os objetos um kit de cuecas para 12 anos e o menor estar calçado com os tênis que ele havia acabado de comprar, conforme comprova cupom fiscal apreendido. Todos os objetos, supostamente comprados para a criança, foram apreendidos pela PC.
Desta forma, o Conselho Tutelar foi acionado e, em conversa com uma conselheira tutelar, o menino revelou que ele e o ex-chefe de cartório vinham mantendo relações sexuais há cerca de um mês. Além disso, disse que Levi comprava preservativos para os atos, que sempre aconteciam dentro do carro do acusado. A criança ainda contou que neste domingo eles teriam relação sexual novamente, se não fosse abordagem da PM, sendo que a última relação tinha acontecido há cerca de uma semana. Suspeito foi condenado por atentado violento ao pudor em 2009
Levi foi condenado em 2009 a 24 anos de reclusão, em regime inicial fechado, por atentado violento ao pudor e corrupção de menores, porém respondia em liberdade após conseguir liminar. De acordo com os autos, entre fevereiro de 2005 e abril de 2008, ele foi acusado de constranger, mediante violência presumida, 10 crianças do sexo masculino, com idades entre 8 e 13 anos, a praticarem atos libidinosos diversos da conjunção carnal. Na mesma época teria praticado contra outras duas vítimas, uma com 15 anos e outra com 17 anos, o crime de corrupção de menores.